Conheça mais um santo do Antigo Testamento: São Samuel, profeta e juiz

(Imagem gerada pelo ChatGPT)


Texto de Raí José Maciel da Silva,
professor, escritor e editor, formado em Geografia (Licenciatura), Letras-Inglês (Licenciatura) e pós-graduado em Teologia.


     Seu dia é o dia 20 de agosto, data da memória obrigatória do abade São Bernardo de Claraval, o doutor melífluo. Embora os santos do Antigo Testamento são menos conhecidos com esse títulos, mas vale lembrar que quando o Senhor desceu à Mansão dos Mortos, resgatou os justos para a Glória, e aqueles que sabemos que são justos dos tempos antigos, são hoje santos e santas de Deus.

    Samuel é filho de Ana, que não tinha filhos, mas prometeu a Deus que se conseguisse essa graça, o consagraria a Deus. Vem então Samuel, que foi chamado por Deus ainda jovem para a missão de profeta, também se tornando juiz, inclusive, o último juiz a governar Israel antes do início dos reinados.

    Na quarta-feira da 1ª Semana do Tempo Comum em anos ímpares e no 2º Domingo do Tempo Comum dos anos B, na liturgia da Igreja, vemos bem ali no início desse novo tempo litúrgico, que marca o início da vida pública de Cristo, uma leitura que marca o início da vida pública de Samuel, que é chamado por Deus por 4 vezes, lembra daquela passagem na liturgia: ''Samuel, Samuel!''(1Sm 3,4.6.8.10); onde o rapaz responde pensando ser Eli, seu guia espiritual, porém, Eli finalmente percebe que é Deus o chamando e o instrui a dizer: ''Fala, que teu servo escuta''(1Sm 3,10), sendo que já desde a primeira vez, o menino já havia demostrado obediência a seu guia, pois entendia que era preciso para cumprir a vontade de Deus, manifestando sempre então a predisposição ao chamado divino. Ele disse nas 3 primeiras vezes: ''Estou aqui.'' (1Sm 3,4) / ''Tu me chamaste, aqui estou.'' (1Sm 3,6.8). Veja a passagem completa como na liturgia:


    ''Naqueles dias, 3bSamuel estava dormindo no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus. 4Então o Senhor chamou: “Samuel, Samuel!” Ele respondeu: “Estou aqui”. 5E correu para junto de Eli e disse: “Tu me chamaste, aqui estou”. Eli respondeu: “Eu não te chamei. Volta a dormir!” E ele foi deitar-se. 6O Senhor chamou de novo: “Samuel, Samuel!” E Samuel levantou-se, foi ter com Eli e disse: “Tu me chamaste, aqui estou”. Ele respondeu: “Não te chamei, meu filho. Volta a dormir!” 7Samuel ainda não conhecia o Senhor, pois, até então, a palavra do Senhor não se lhe tinha manifestado. 8O Senhor chamou pela terceira vez: “Samuel, Samuel!” Ele levantou-se, foi para junto de Eli e disse: “Tu me chamaste, aqui estou”. Eli compreendeu que era o Senhor que estava chamando o menino. 9Então disse a Samuel: “Volta a deitar-te e, se alguém te chamar, responderás: ‘Senhor, fala, que teu servo escuta!’” E Samuel voltou ao seu lugar para dormir. 10O Senhor veio, pôs-se junto dele e chamou-o como das outras vezes: “Samuel! Samuel!” E ele respondeu: “Fala, que teu servo escuta”. 19Samuel crescia, e o Senhor estava com ele. E não deixava cair por terra nenhuma de suas palavras.'' (1Sm 3,3b-10.19)


    Samuel é um dos nomes citados nos dias de féria do Advento, aqueles 8 dias de preparação ainda mais intensa para o Natal, que vão de 17 a 24 de dezembro, sendo inclusive popularmente chamados de Semana Santa do Natal. Nesses dias, vemos leituras de algumas mães estéreis que deram à luz como Sara, esposa de Abraão, que tiveram Isaque na velhice, vemos também a mãe de Sansão, Isabel, esposa de Zacarias, que tiveram João Batista idosos como Abraão e Sara e também o caso de Ana, mãe de Samuel, cuja leitura é contemplada no dia 22 de dezembro. Esse preparo litúrgico funciona como um prefácio para anunciar o fim da esterilidade e o aguçar da esperança na vida, daquele que vai nascer entre nós, o Salvador, o Cristo o Senhor.

    E voltando ao santo em cheque, vemos na passagem acima, extraída do 1º Livro de Samuel, o trecho utilizado como leitura no 2º Domingo do Tempo Comum dos anos B, vemos muitas similaridades com Nosso Senhor, a começar pelo ''Sim'' de Maria: ''Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra''. (Lc 1,38)

    Também vemos que Samuel crescia e o Senhor estava com ele, como Jesus é narrado como menino que crescia em estatura e graça: ''E Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante dos homens'' (Lc 2,52)

    Note também, que quando Samuel se confundiu, pensou que era Eli que o chamava. Na cruz quando vemos Jesus dizer: '' 'Eli, Eli, lamá sabactâni?', que quer dizer: 'Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?' '' (Mt 27,46); Ele chama pelo Pai, mas o povo confuso pensa que ele está chamando por Elias (Mt 27,47). Justamente o povo se confunde com a palavra ''Eli'', como Samuel se confundiu achando que era ''Eli'' o chamando, mas por trás, sempre foi ''Deus Pai''.

    Samuel é um dos primeiros profetas, pois nos tempos de Moisés e Josué, que conduziram o povo no deserto e na entrada e partilha da terra prometida respectivamente, estavam saindo do tempo dos patriarcas, para começar o tempo da profecia, Samuel é então já profeta na Terra Santa, fazendo parte desse processo de transição.

    Também foi responsável pela transição do governo provisório dos juízes na terra, para os reis, sendo o último juiz a governar Israel, ungindo o rei Saul, que se tornou o primeiro rei de Israel. Samuel também protagonizou o célebre episódio onde diante dos filhos de Jessé, sem a presença de Davi, questionou se todos os filhos dele estavam ali, e apenas quando viu Davi, o ungiu como segundo rei de Israel, substituindo Saul, que havia deixado o trono, mostrando que Samuel não confiava apenas nas aparências, no que remetia à sua humanidade, mas verdadeiramente se abria à vontade de Deus, ou seja, não havia sentido ainda que era Deus lhe mostrando o escolhido, se escolhesse um entre os apresentados seria vontade dele, com critérios humanos, fez então a sábia pergunta, para confirmar se estava em comunhão com a vontade de Deus.

    Teve sua páscoa em idade avançada, cumprindo sempre a vontade do Senhor sendo profeta que anunciava e denunciava sem medo: Sempre anunciava a vontade de Deus, e não tinha medo nem mesmo de repreender os reis quando assim era necessário, por não estarem observando os mandamentos do Senhor.



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