Espiritualidade no ambiente de trabalho: Alma, aquela que gera vida, animação e não morte e confusão!
Introdução: O ambiente coletivo
O ambiente de trabalho retrata um recorte específico da realidade do nosso dia a dia, aquilo que vivenciamos na vida como um todo, momentos individuais, pessoais (intrapessoais); assim como também momentos coletivos, de interação (interpessoais).
Todos nós devemos buscar o conhecimento de nós mesmos, pois somente nos conhecendo cada vez mais, podemos aprimorar nossa relação com os outros nos mais diversos âmbitos, nas mais diversas relações. Esse autoconhecimento perpassa pela experiência individual: crenças, gostos, sonhos; mas também pela experiência coletiva: relacionamentos, convivência, trabalho etc.
No ambiente de laboral, assim como na família e na experiência geral em sociedade, lidamos com inúmeras pessoas, onde cada uma delas vive num universo único que se entrelaça constantemente num enorme cosmo, universo este que possui uma série de semelhanças conosco, mas também uma gama de diferenças de nós, logo, ninguém é igual a ninguém; o que por vezes nos dá sensação de similaridade, é quando uma pessoa apresenta um grupo de pensamentos similares a alguns nossos, porém, basta conversar um pouco mais e alguns pontos diferentes em outros contextos serão encontrados.
Existem valores morais que são inerentes ao ser humano, como o respeito ao espaço alheio, o zelo pela própria vida e a do próximo, além de códigos de ética que embora podem variar de sociedade para sociedade, com variações de cultura, época e contexto, mas que conservam padrões e valores que foram construídos de maneira unânime, como o do direito de um terminar ao encontro com o direito do outro.
Para que este respeito mútuo vigore, é preciso aprender a separar aquilo que é eticamente estabelecido como valor moral da sociedade em que você está inserido, de valores carregados por cada indivíduo provindos dos mais diversos grupos que fazem parte. Nesse cenário, aparecem conceitos que são unânimes, como também aqueles que geram divergência, porém, por que nos afastarmos por aquilo que nos separa, se podemos nos aproximar por aquilo que nos une?
Um exemplo de conceito que é amplamente aceito nas mais diversas religiões e até mesmo por pessoas agnósticas e ateias, é o conceito de alma, do latim anima, aquela que anima, que dá a vida. Se é perguntado num grupo de pessoas como cada um entende esse conceito, diversas respostas obteremos, desde a origem até o que ocorre com ela após a morte. Aos que pertencem a alguma religião ou mesmo que não membros de uma, mas acreditam em Deus, praticamente todos dirão que acreditam na sobrevivência da alma nos pós-morte, já entre os agnósticos e ateus, vigorará o argumento materialista da finitude da mesma junto do corpo. Não é que seja errado uma pessoa defender sua tese diante de outra quando o momento assim permitir, visões diferentes e argumentos distintos fazem parte do debate da sociedade, somos seres pensantes; mas tudo tem sua hora e seu lugar, ninguém é obrigado a ser evangelizado à força num ônibus por um pregador inconveniente, como também ninguém merece ser ridicularizado por fazer um sinal da cruz antes de se alimentar num refeitório.
A alma da sociedade, a boa comunicação: Vida e animação e não morte e confusão
Como já explicado, alma é aquela que anima, que dá vida, porém, proponho agora uma reflexão pessoal: Você está gerando vida ou morte, animação ou confusão? O que sua alma está produzindo?
Muitos na tentativa de evangelizar, se opõem ao sentido de alma, realizando uma evangelização forçada, que ao invés de animar, desanima, como também aqueles que tentam impor uma contraevangelização, acabam por vezes fazendo o mesmo que criticam, mas de uma forma diferente.
Para desenvolver este tema no ambiente de trabalho, sugiro agora outra reflexão: Por que ao invés de focar no que vem depois, não fazer bem o presente? Por que ao invés de insistir com os colegas ou gerar situações constrangedoras em vistas de obrigar o outro a se converter, ou querer remover o senso de sagrado da vida do próximo, não buscamos juntos viver o real sentido de alma no aqui e agora?
Se algumas pessoas creem na sobrevivência da alma após a morte, e daí virão diversos pensamentos de como cada religião ou indivíduo em particular argumenta sobre essa sobrevivência, e outras creem na finitude da alma no momento do falecimento, para o ambiente que estamos na empresa em que trabalhamos, o que interessa não é o que vai acontecer no pós-morte, mas no momento em que estamos juntos e convivendo entre si. Se um crê que irá para o Céu e o outro crê que deixará de existir, o importante naquele momento de convivência de ambos, não é a vida inteira brigar forçando o outro a acreditar na sua tese ou obrigando-o a desistir daquela que carrega, mas bem viverem em coletivo, aproveitando daquele momento de vida que compartilham em juntos. Se no dia do velório de seu colega de trabalho foi apenas um funeral não religioso e no do outro houve inclusive uma missa de corpo presente, independente do que você pensa que aconteceu com ele dali pra frente e o que acontecerá com você no seu momento, o mais importante para a boa convivência com aquele que pensava diferente, é terem vivido bem cada momento presente.
Seja uma pessoa que anima e não que desanima o grupo. Seja uma pessoa geradora de vida e não uma pessoa que sepulte cada momento de convivência. Como? Vejamos:
1 - Não tente convencer ninguém de nada que não agrade aquela pessoa, insistência em assuntos que incomodam não animam, pelo contrário, deixam o ambiente pesado, desanimado, em outras palavras, sem alma, sem vida, morto, entendiante. Busque assuntos que todos possam participar para momentos coletivos, deixe temas específicos para falar com aquelas pessoas que você saiba que comungam da mesma ideia ou que se apresentem interessadas em ouvir o que você tem a dizer.
2 - Lembre-se que cuidar do outro é cuidar de si. Quando você não incomoda o colega, você também não é visto como um incômodo.
3 - Preserve o espaço e as coisas como se fossem suas, não deixe nada sujo, bagunçado ou estragado para os demais, caso quebre, conserte ou comunique ao departamento responsável, mas que este quebrar não tenha sido por falta de zelo, mas pelo desgaste natural do tempo.
4 - Quando você gera uma boa presença e cuida do espaço coletivo, isso gera um impacto ao redor. Às vezes você quer uma resposta dos demais, mas não toma nenhuma atitude: Reclama do ambiente e das pessoas, mas é o primeiro a não fazer a sua parte. Chega atrasado, reclama da segunda-feira, malha o chefe, fala que ''tem mais é que gastar mesmo'' isso ou aquilo da empresa que ''tá rica'' etc; mas o problema é sempre o outro que cumpriu tudo certinho e por isso saiu uns minutinhos mais cedo, é o colega que quer um dia de folga lá uma vez ou outra por um dado motivo, às vezes religioso, sendo que sempre pega firme de segunda a segunda, o problema é aquele que propõe conversar com o chefe sobre alguma coisa que pode ser mudada, é aquele que reaproveita folha de papel que não tem dado sigiloso atrás, considerando neste caso o econômico como o bobo ou mão-de-vaca e chamando de certo o esbanjado que quer mais que a empresa que garante o sustento de todos quebre.
Ninguém consegue progredir com reclamações constantes, com desincentivos diários, tampouco com a desconstrução de tudo que se constrói. Use o banheiro da empresa como o de sua casa, aproveite o copo descartável para mais vezes beber água mantendo-o consigo ao longo do dia. Se você quer apenas fazer o básico do básico, não desanime quem quer fazer mais, como também, se você quer anular sua vida para ser promovido, não exija o mesmo dos colegas; não traga para a empresa os problemas de sua vida pessoal, não mexa no que não lhe compete, se não puder ajudar, não atrapalhe, nem pense que os seus sonhos e prioridades são os mesmos ideias de vida de todos.
O que ajuda?
1- Orientar no que o outro precisa e não ter vergonha de pedir uma orientação.
2 - Trocar dia quando possível com o colega.
3 - Dizer frases genéricas sem avançar na vida do outro como: ''Calma, vai passar!''; ''Aguenta, firme!''. Você também não precisa se expor e pode e deve desviar-se de perguntas exageradas.
4 - Perguntar: Você está precisando de alguma coisa? Posso te ajudar? Como posso te ajudar? Assim também você perderá o medo de pedir ajuda, porém, vale sempre lembrar do bom senso, que é pedir ajudar quando realmente precisa e não fazer o outro de bobo, para também saber avaliar se realmente o outro precisa de ajuda ou está apenas te explorando, pois aí, vale uma desculpinha para se defender, uma vez que ela é e sempre será melhor que brigar e falar mal do colega 24 horas por dia.
5 - Respeitar respostas como: ''Não, deixa pra lá!''; ''Me deixa!''. Aprenda também a colocar educadamente seus limites.
6 - Segurar as pontas quando possível para alguém resolver algo e assim contar também com os demais.
O que atrapalha?
1 - Insistir numa oração sendo que o outro já demostrou ser de outra fé. Se você crê, reze em silêncio para o seu amigo, não abra um culto a céu aberto só para mostrar que está rezando.
2 – Aconselhar o outro a deixar seus compromissos com sua fé só porque você não acredita e não vê sentido em quem crê acreditar.
3 - Só pedir ajuda e nunca ajudar.
4 - Ser desleixado com aquilo que você sabe que não vai usar mais.
5 - Encher o outro de problemas seus sendo que ele já tem os dele, porém, apenas está te respeitando não achando que seu ouvido é depósito de reclamação.
6 - Pronunciar em voz alta palavras de baixo calão e xingamentos.
7 - Achar que todos devem gostar de suas músicas, por isso foi inventado o fone de ouvido.
8 - Empurrar de goela abaixo compromissos travestidos de convites nos outros.
9 - Falta de comunicação. Muita coisa numa empresa não acontece por maldade, por desejo premeditado de provocar ou gerar qualquer tipo de impacto negativo no próximo, mas uma simples falta de comunicação ou falha na mesma, pode gerar tensões desnecessárias que causam brigas de longa data, criando bolas de neve que se tornam avalanches, dividindo o espaço em grupinhos, não porque alguém estava certo e outro errado, mas um não comunicou e poderia assim tê-lo feito, ou se fez, ter feito melhor, e o outro não entendeu até hoje que as pessoas erram, esquecem e ele também está sujeito ao erro e ao esquecimento.
Como no início citei a questão da alma: Alma é vida, é animação, e é como você lida com o próximo que isso é se concretiza. E então, você está vivendo o real sentido do termo, ou se opondo achando que está acertando?
Conclusão
Comecei essa reflexão falando a respeito do conhecimento pessoal e coletivo, e também com isso termino: Conheça-se a si mesmo e busque no seu meio ser alma, isto é, ser vida, animação e não morte e confusão. Grande parte das confusões que levam à morte em vida de um grupo, é a falta de comunicação como pontuei acima. Para concluir, peço agora que reflita como sinal de cruzamento de linha férrea: ''Pare, olhe, escute''. Olhe para o que ainda não permite ser vida e animação, mas que é morte e confusão no espaço que você trabalha: Será que é mesmo culpa sua ou culpa do outro, ou ainda, uma nova versão que lhe apresento, talvez não seja culpa de ninguém, lógico que todos temos sempre coisas a melhorar, mas muita coisa vem da má comunicação e não da má intenção. Em muitas situações, basta você mudar seu modo de lidar que elas também mudarão, assim como os demais, e outras ainda, não dependem da mudança de ninguém, mas da forma que são vistas e interpretadas. Você não é o centro do universo onde tudo é para te provocar, nem tudo as pessoas fazem de propósito, nem tudo é vontade de errar, mas às vezes seus olhos focam tanto no erro e no esquecimento do outro e esquece dos seus próprios deslizes, esquecimentos e erros. Lembre-se que nem tudo tem um culpado e uma vítima, nem tudo tem um certo e um errado, mas situações mal comunicadas e tentativas de ajuda atrapalhadas, por isso, pare, olhe e escute: Você transmite e absorve o que você é, comece a vibrar na frequência da vida, da animação, que é o primeiro paço para romper com a sequência da morte e da confusão.

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