O Purgatório e a oração pelos falecidos nas Sagradas Escrituras

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Texto de Raí José Maciel da Silva,
professor, escritor e editor, formado em Geografia(Licenciatura), Letras-Inglês (Licenciatura) e pós-graduado em Teologia.

     Jesus quando fala do Reino dos Céus, como no contexto do sermão da montanha nos capítulos do 5 ao 7 do evangelho de São Mateus, Ele faz analogias de situações aqui da Terra comparando-as com a realidade celeste, inclusive no versículo 26 do capítulo 5, podemos ver uma referência ao Purgatório, quando Jesus compara o julgamento divino a um julgamento terreno, onde se temos que pagar por algo e não sairemos da prisão até pagar o último centavo.

    No contexto de Mt 5,26 : ''Em verdade, te digo: dali não sairás enquanto não pagares o último centavo.'' - Não podemos dizer que seja uma comparação nem com o Céu, nem com o Inferno, pois o Céu já é a plena salvação, as alegrias eternas, não há nada que pagar; o Inferno, por outro lado, é a condenação eterna, que não há como pagar por nada para sair de lá. É no Purgatório onde as almas purgam a pena temporal consequente dos pecados já perdoados e não indulgenciados.


Mas e quanto a rezar pelas almas no Purgatório, vemos a prática de rezar pelos mortos nas Sagradas Escrituras?


    Sim, já no Antigo Testamento temos uma icônica passagem no 2º livro dos Macabeus que nos mostra a oração por aqueles que nos precederam na fé:

    ''43Depois, tendo organizado uma coleta individual, que chegou a perto de duas mil dracmas de prata, enviou-as a Jerusalém, a fim de que se oferecesse um sacrifício pelo pecado: agiu assim, pensando muito bem e nobremente sobre a ressurreição. 44De fato, se ele não tivesse esperança na ressurreição dos que tinham morrido na batalha, seria supérfluo e vão orar pelos mortos. 45Mas considerando que um ótimo dom da graça de Deus está reservado para os que adormecem piedosamente na morte, era santo e piedoso o seu modo de pensar. Eis por que mandou fazer o sacrifício expiatório pelos falecidos, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado.'' (2Mc 12,43-45)

    Deus não se preocupa com dinheiro, mas a oferta ajuda a manutenção do templo e é fruto do nosso trabalho, logo, o importante é o sacrifício que apresentamos, fruto do nosso esforço, somado às nossas orações feitas com fé.

    Também no Novo Testamento temos uma passagem a respeito da oração pelos familiares falecidos das pessoas que amamos (amigos e familiares), onde São Paulo, perseguido por sua evangelização, reza por Onesíforo e pela família enlutada como hoje rezemos nas celebrações de 7º dia, um mês e um ano:

    ''16O Senhor faça misericórdia à família de Onesíforo, porque muitas vezes me confortou e não teve vergonha das minhas correntes. 17Pelo contrário, tendo chegado a Roma, procurou-me diligentemente até me encontrar. 18O Senhor lhe conceda alcançar misericórdia, da parte do Senhor, naquele dia. E quanto serviços ele me prestou em Éfeso, tu sabes melhor que ninguém.'' (2Tm 1,16-18)

    A tradição da Igreja não se restringe apenas às Sagradas Escrituras, mas também à tradição recebida pelos apóstolos, que provêm do próprio Jesus, porém, as referidas passagens nos ajudam a confirmar o que a Igreja sempre disse. Não adiantaria rezar pelos mortos se houvesse apenas Céu e Inferno. Para aqueles que não lucraram indulgências plenárias aqui, agora podem recebê-las nesse estágio de purificação por meio das nossas orações.


Oração pelos fiéis defuntos (Finados)


    Aproveito este momento para compartilhar uma oração que Santa Gertrudes afirma ter recebido do próprio Senhor Jesus e que após rezada com fé, livraria 1000 almas do purgatório. Rezemos por nossos irmãos que nos precederam na caminhada rumo aos Céus:

"Eterno Pai, ofereço-vos o Preciosíssimo Sangue de Vosso Divino Filho Jesus, em união com todas as Santas Missas que hoje são celebradas em todo o mundo; por todas as Santas Almas do Purgatório, pelos pecadores de todos os lugares, pelos pecadores da Igreja Universal, pelos de minha casa e meus vizinhos. Amém."



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