Vocação! Do chamado de Deus à decisão!
O que é vocação?
Quando falamos de vocações sob a ótica da nossa fé, estamos falando de chamados; chamados estes que Deus suscita em nossos corações desde que somos concebidos no ventre de nossas mães (Jr 1,5); porém, é necessário discernimento e atenção para reconhecer a vocação ao qual foi chamado, se não nós mesmos nos acharemos incapazes de viver nossa vocação com medo de estarmos errados ou acreditaremos em comentários atravessados dos outros. É aí onde muitos se perdem e o que deveria ser mais simples, acaba sendo complicado pela própria pessoa, sobretudo quando dá ouvido a conselheiros despreparados.
Como se dá a revelação?
Não! Deus não vai promover um grande sinal milagroso para que você descubra qual é sua vocação!
Não! Não precisa esperar que terá um sonho com Nosso Senhor ou algum santo da Igreja para que sua vocação seja revelada.
É mais simples do que parece, pois não é algo que será revelado com estardalhaço (1Rs 19,11-12), mas na simplicidade do dia a dia, à medida que seu coração vai se sentindo tocado a determinado caminho de vida.
A revelação passa pela vontade!
A vocação é suscitada em nosso coração desde nossa existência, pois já foi pensada por Deus para nós antes mesmo de existirmos, e você a reconhece com o tempo.
Muitas pessoas pensam erroneamente que ter o desejo por dada vocação é pegadinha. Não meu irmão! Não minha irmã! Deus não é sacana que suscita um sonho em seu coração mas na verdade te chamou a outro! É justamente aquele desejo que brota do mais profundo de seu ser que aponta para a vocação que Deus lhe chamou.
Muitos jovens ficam presos a crises vocacionais, diversas vezes por ouvirem conselhos de pessoas que não tem o mínimo de preparo para com eles falar, outras vezes, porque os próprios acham que sentem uma coisa mas devem buscar outra.
Se você sente um chamado que é mais que uma simples vontade, é mais que uma simples superficialidade, é algo que mexe com todo o seu ser, como por exemplo formar uma família, ter filhos, além de ter apreço por ambientes nesse sentido, como com crianças, família reunida etc; não precisa ficar com medo achando que está contrariando a vontade de Deus, sua vocação é matrimonial. Muitos jovens só porque são pessoas de Igreja, fervorosas na fé, na oração, atuantes em pastorais e detêm grande conhecimento teológico, acham que porque todo mundo fica dizendo que ela deveria ser freira, ele deveria ser padre, que o não ser, talvez seria estar passando sua vontade na frente da vontade de Deus. Não é assim! O seu chamado é aquele que brilha no seu coração e não os comentários simplistas de pessoas que gostariam de viver o que você vive e mesmo sendo padres ou freiras não conseguem, o seu chamado é aquilo que pulsa no íntimo do seu ser, e não o desejo que certos pais e mães tem para seus filhos, e até frequentam movimentos orando por eles, querendo que eles fossem como você é, e quando veem pessoas como você, ficam com frases tortas dizendo que você deveria ser isso ou aquilo.
Da mesma forma que é um grande erro quando vemos histórias de virgens santas que chegaram a ser mártires porque os pais queriam obrigá-las a se casar e elas preferiram o martírio a negar sua vocação, tamanho é o pecado hoje daqueles que veem jovens vocacionados ao matrimônio e não cessam comentários esdrúxulos de compará-los ao sacerdócio e à vida religiosa só porque conseguem viver uma vida mais respeitosa que muitos ministros ordenados, e talvez dentro do modelo que muitos pais sonhavam para seus filhos, mas assistem os mesmos vivendo o oposto. Muitas vezes, os mesmos pais que chamam de futuro padre ou futura freira, jovens que vivem exemplarmente sua fé, são alguns dos que vivem dobrando joelhos rezando para que seus filhos tomem rumos corretos e ao verem os filhos dos outros nesse caminho, ficam com comentários ridículos como esses.
É Deus quem escolhe! É Deus quem decide!
Repetir uma verdade fora do contexto demonstra total falta de preparo. De fato, a vocação é um chamado de Deus, porém, Deus revela no coração de cada um, e não nos corações externos à pessoa. Vemos por vezes jovens que dizem que sua vocação é ''X'', mas uma pessoa despreparada vira para o jovem ou para a jovem e diz: ''Ah, mas isso aí é Deus quem decide! Quem decide é Ele''. A resposta mais correta deveria ser: ''Já sei disso, e Ele não escolherá, Ele já escolheu, é o que já está em meu coração e não nos palpites errados que você dá aos outros!''
Quando um jovem ainda com pouco discernimento, sente seu chamado, mas vem um adulto dizendo que sua vocação não é a que ele sente, mas outra, isso pode confundir a cabeça do jovem, e colocá-lo contra si mesmo, fazendo-o acreditar que está negando a vontade de Deus para sua vida. É aí onde entra a célebre frase de Santa Teresinha do Menino Jesus: ''O bom Deus não poderia inspirar desejos irrealizáveis''.
É justamente este sonho que você tem, é justamente esse chamado que está no seu coração que é a vocação a qual Deus te chamou. O verdadeiro discernimento vocacional que alguém pode lhe dar é ajudar a você a descobrir sua vocação, lhe fazendo perguntas nas quais você terá a liberdade de resposta, como: O que mais você sente vontade diante do que a Igreja nos apresenta? O que mais lhe causa sentimento de pertença entre as vocações da Igreja? Qual experiência você mais gostaria de viver enquanto católico apostólico romano, fiel à sua fé? Se tivesse que escolher entre viver para sempre assim ou assado, o que preferiria? Desse modo, o jovem poderá recorrer ao mais íntimo de seu coração e chegar na conclusão.
Ninguém é capaz de descobrir a vocação de outrem apenas por aparência, jeito de ser etc. Coração é terra que ninguém pode entrar a menos que a porta seja aberta de dentro para fora. Quem tem que dizer o que está no fundo de seu coração é o próprio indivíduo, fora que, há tantas coisas nos nossos corações, que não trazemos ao público, e talvez esses ''sins'' e ''nãos'' são decisivos no processo de decisão, e não opinião superficial que as pessoas de fora tem sobre nós.
Conclusão
Volto a tocar neste ponto pare concluir:
Não! Não vai aparecer um outdoor no céu revelando sua vocação!
Não! Não vai aparecer um santo, um anjo ou o próprio Deus falando contigo em sonho qual será sua vocação!
Não! Não acontecerá nenhum evento extraordinário em sua vida que te revelará isso!
Muito menos é a opinião de sua família, amigos (se é que assim podemos chamá-los) que vai contar qual é sua vocação, mas sim, a sua decisão sem medo de reconhecer aquilo que Deus lhe chama, pois se seu desejo é servir o senhor daquela forma, saiba que a vocação passa pela vontade, e se aquela é sua vontade diante de algo correto que a Igreja ensina, basta tomar a decisão, dar o seu ''sim'' a Deus e viver da melhor forma possível sua missão. Não pense que aquilo que tanto você quer e é algo correto perante à nossa fé, que aquilo possa ser uma confusão da sua cabeça, mas sim, aprenda a reconhecer que aquele é seu chamado, aquela é sua vocação, independente da falta de preparo da multidão.
Testemunho pessoal
Minha vocação é matrimonial, tenho sim o desejo de formar uma santa família aos moldes da Igreja, é esse o desejo que consome todo o meu ser, é o sentido da minha existência diante de Deus, diante da Igreja, diante da fé. É essa a missão que quero desempenhar frente à Igreja de Cristo.
Porque eu vivo uma vida o mais próximo que posso daquilo que a Igreja nos chama a viver, porque estudo a fé e busco vivê-la como todo católico deveria buscar, porque me visto com decência e não frequento ambientes devassos, surgem inúmeros palpiteiros que acham que isso significa querer ser padre. Muitas vezes porque a pessoa é padre e não consegue fazer o que certos leigos fazem, outras vezes porque certos pais e mães queriam que seus filhos vivessem isso e não vivem.
Será mesmo que a oração dessas pessoas tem valor quando pedem mais discernimento para si e para os seus? Pois como Deus poderá ouvir suas orações se você acha que uma pessoa que vive aquilo que você espera para seus filhos, tem que seguir tal vocação - Sua oração torna-se uma hipocrisia - Você deixa claro para Deus que só se seu filho ou sua filha buscassem o sacramento da ordem ou a vida religiosa, que viveriam aquilo que vivo - Logo como não é essa a vocação deles, portanto estão corretos em fazer o que fazem! (Seguindo sua linha de raciocínio) - Será que antes de rezar, não deveriam suas concepções mudar?
Muitos padres pregam como os fiéis deveriam se portar, se vestir, que deveriam buscar mais conhecimento sobre a Igreja, que se não buscam caem em heresias, achismos etc, sendo por vezes até duros quando criticam o achismo dos fiéis que não buscam conhecer a fé! - Quando o fiel faz tudo isso que cansam de bater na tecla, acham que o jovem é vocacionado ao sacerdócio ou à vida religiosa - Isso faz da homilia uma perfeita hipocrisia - É como se dissesse: É impossível casais católicos viverem essa realidade que estou ensinando a viver! É impossível para quem tem vocação matrimonial buscar a coerência na fé, estudar a fé, se vestir com decência e viver uma vida de Igreja. Será que Deus ainda não suscitou isso nos corações dos fiéis das paróquias onde o senhor já passou porque sua fala é vazia e uma perfeita hipocrisia?
Reflexão: Antes de rezar por seus filhos para que mudem de vida, antes de falar na homilia como as famílias católicas devem viver - Primeiramente: Acreditem que santas famílias católicas, jovens e adultos leigos e leigas podem sim viver isso. Acreditem verdadeiramente que quem se revela na vocação familiar, pode sim viver isso, porque enquanto você não acreditar, nunca frutos sua oração gerará. Lembre-se que nos milagres de Jesus, era necessário acreditar: ''Sua fé te salvou!'', foi a frase que Jesus tanto falou. Se você não acredita em leigos vivendo assim, é porque você mesmo (pais e mães) não acreditam na conversão de seus filhos e porque os senhores (padres) não acreditam que seus fiéis leigos são capazes de viver isso.
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