Quem são os santos mártires coptas reconhecidos pela Igreja Católica?
Em fevereiro de 2015, o mundo assistiu o triste episódio no qual o grupo terrorista autoproclamado de Estado Islâmico, matou 21 trabalhadores da construção civil numa praia em Sirte, na Líbia, no norte da África. Os referidos trabalhadores que estavam reféns após seu sequestro entre dezembro de 2014 e janeiro de 2015, foram mortos por conta de sua fé num período em que o grupo terrorista previamente mencionado estava em ascensão na Síria e no Iraque tentando criar ali um califado, e vinha cometendo ataques terroristas em vários países, tendo como principal alvo, pessoas que não seguiam a fé islâmica.
Em meio às diversas vítimas, temos inúmeros cristãos, entre eles, os 21 mártires da Líbia, que migraram para aquela região vindo do Egito, em busca de melhores condições de trabalho. 20 eram egípcios e tiveram suas páscoas dizendo ''Senhor Jesus'', confessando sua fé até a morte; um deles era ganês, Matthew Ayariga, e assim como seus colegas deu a vida por amor a Cristo até o fim, ao ser questionado sobre sua fé, teve sua páscoa também confessando a fé dizendo: ''O Deus deles é o meu Deus''.
Eles foram proclamados santos pela Igreja Ortodoxa Copta no mesmo ano do martírio e num gesto de aproximação com nossos irmãos que embora venham da sucessão apostólica, mas estão em comunhão parcial conosco, o então papa, o papa Francisco, decidiu também incluí-los no martirológico de Roma em 2023, sendo que já os chamava de ''santos par todos os cristãos desde 2021'', reconhecendo-os então como santos também na Igreja Católica Apostólica Romana.
Embora os cristãos coptas e outros cristãos ortodoxos não estejam em plena comunhão com Roma, mas suas igrejas são consideradas verdadeiras e seus sacramentos válidos, pois vêm da sucessão apostólica, e o cisma que os levou a separar-se de nós, não é um cisma de excomunhão como quem se separa hoje após tanto esclarecimento, mas sim, seguiram seu caminho em tempos mais antigos, onde nem todo o conhecimento que hoje temos sobre a unidade da Igreja estava tão explícito no meio deles.
Para nós católicos romanos, sair da Igreja e se tornar ortodoxo seria um erro, mas a Igreja entende que quem nasceu no contexto ortodoxo e vive verdadeiramente a sua fé, vivendo aquela experiência nas respectivas igrejas crendo verdadeiramente que estão seguindo os passos de Cristo e dando sucessão legítima aos apóstolos, não estão privados da salvação, pelo contrário, têm os sacramentos necessários e válidos para buscarem a santidade.
Detalhe: Inclusive para nós católicos romanos, caso estejamos num lugar onde não há nenhuma igreja católica apostólica romana, apenas ortodoxas, podemos cumprir o preceito dominical ou de dias santos de guarda nessas igrejas, tal qual em caso de necessidade, confessar-se e ser ungido com o óleo dos enfermos.
Ter no nosso calendário santos que viveram verdadeiramente a sua fé, ainda que em comunhão parcial, mas não por um desejo de contrariar, mas pela realidade em que foram criados, é um passo no qual a Igreja reforça a busca dos sacramentos, da fé em Cristo e da sucessão apostólica como caminho para a santificação.
Atualmente o dia 15 de fevereiro é dia desses grandes mártires dos tempos contemporâneos também para nós.
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