Santo Esdras, escriba, um dos santos do Antigo Testamento

Santo Esdras, sacerdote e escriba, cuja memória é celebrada no dia 13 de julho, é um grande santo do Antigo Testamento, conheça um pouco sobre sua história:


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Texto de Raí José Maciel da Silva,
professor, escritor e editor, formado em Geografia (Licenciatura), Letras-Inglês (Licenciatura) e pós-graduado em Teologia.


    Durante o exílio na Babilônia, os mais velhos se esforçavam para ensinar aos mais jovens as leis e preceitos do Senhor no contexto da Antiga Aliança, para que os costumes e sobretudo a fé não se perdessem em meio aos tantos deuses adorados que eram apresentados a eles naquela terra estrangeira, algo similar ao que acontece hoje quando vemos muitos avós resgatando com os netos a fé que muitos da geração adulta perdeu, adorando deuses como o dinheiro, que nunca é suficiente, e tantas outras tentações como imoralidades e comportamentos distantes da nossa fé.

    Os profetas anunciavam que um povo fraco e desunido, onde cada um só pensava em si e em suas bebedeiras, orgias e demais prazeres, seria facilmente tomado pelo inimigo, e de fato isso aconteceu quando a Babilônia tomou a Terra Santa e levou o povo judeu para o exílio.

    Entre tantos dos mais velhos que mantiveram a fé e a tradição vivas em contexto exílico, temos o sacerdote e escriba Esdras, que liderou uma caravana de retorno de exilados de volta para a Terra Santa.

    Após Deus suscitar Ciro, rei da Pérsia, para derrotar a Babilônia e libertar seu povo arrependido, houve as caravanas de retorno, que são narradas nos livros de Esdras e Neemias nas Sagradas Escrituras, ambos, de acordo com a tradição, escritos por Santo Esdras.

    Esdras era letrado na Lei de Moisés e se empenhou no fortalecimento da fé que havia ficado enfraquecida após anos de exílio.

    Antes de retornar com sua caravana, convocou jejum e oração para que o povo pudesse se colocar de forma humilde e grata diante de Deus, não só recebendo a graça da liberdade e do retorno à Terra, mas manifestando sua gratidão e compromisso de perseverar na fé nessa nova chance recebida.

    Era zeloso com as coisas de Deus e, vendo que havia cantores, sacerdotes, porteiros, oblatos, demais servos, mas não havia levitas, aqueles encarregados da Lei e que exerciam diversas funções ligadas à liturgia no Templo, as Escrituras são claras ao dizerem que ele escolheu pessoas ajuizadas para buscarem levitas para a viagem. Após o jejum e a oração, partiram sob as bênçãos de Deus.

    Ao chegarem, descansaram por 3 dias, um eco que remonta à criação, onde Deus descansou, e já tocando na ressurreição de Cristo, que reconstrói a humanidade, ressuscita, recria, no terceiro dia.

    É assim que contemplamos a vida dos personagens bíblicos, sempre vendo o que fizeram para Deus e como, mesmo sem saberem, nos apontam para o Senhor. Os santos do Antigo Testamento para o Messias que viria e os do Novo para o Messias que veio.

    Após o descanso, organizaram-se para prestar sacrifício ao Senhor, como hoje o fazemos na Santa Missa na Nova Aliança. Esdras reconheceu seus pecados e os pecados do povo, tal qual sua pequenez diante de Deus ao se colocar em oração na hora do sacrifício que apresentavam ao Senhor. Rezou de joelhos oferecendo o melhor para Deus e hoje nos ensina que com Deus temos tudo mesmo nas provações, mas sem ele nada somos, apenas escravos de desordenadas paixões, tanto que também no contexto matrimonial reforçou o verdadeiro sentido do casamento e a busca de pessoas que guardassem a mesma fé para assim servir a Deus em família e jamais se afastar novamente dos caminhos do Senhor.

    Segundo tradições, viveu toda sua vida nesta missão de conservar a fé e teve sua páscoa em idade avançada.



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