Você está comunicando ou provocando? Mentira, murmuração e juízo temerário são pecados.

Imagem gerada pelo ChatGPT


Texto de Raí José Maciel da Silva,
professor, escritor e editor, formado em Geografia-Licenciatura, Letras-Inglês
e pós-graduado em Teologia.


     Existe uma grande diferença entre comunicar e provocar. Infelizmente, muitos meios de comunicação da grande mídia, que deveriam fazer um trabalho imparcial de comunicação, deixando os debates para os podcasts e programas de entrevistas e variedades, estão mais provocando que comunicando.

    Uma coisa é colocar um título chamativo dentro daquilo que é o texto da reportagem para atrair o leitor para uma boa leitura. Outra coisa é o sensacionalismo, que sugere uma ideia a primeira vista, que ao ler, vemos que não é nada daquilo. E o pior, quando não lemos e cometemos o pecado do juízo temerário, que é comentar sem o devido fundamento determinada coisa.

    Muitas manchetes trazem: ''Padre disse isso!'', mas sendo que essa frase dentro do contexto não leva ao sentido que pensaram que ele quis dizer. Isso não é comunicar, isso é continuar provocando uma discussão desnecessária de algo às vezes já esclarecido. Por que não anunciar: ''Entenda o mal-entendido entre a frase dita pelo padre fulano e interpretações de internautas.''; ou ainda: ''Entenda o contexto da suposta fala polêmica do padre fulano.''?

    ''Político X aumentou o próprio salário em tantos por cento''. E então? Será que esse mesmo veículo teria coragem de noticiar: ''Político X passa seu salário de tanto para tanto'', dando o valor exato de quanto estava e para onde foi; e ainda, fazer um comparativo com outros políticos do país que exercem a mesma função, comparar aquele cargo com outros cargos, analisar pendurucalhos cortados que existiam em governos anteriores, o orçamento geral, prioridades do governo etc, toda uma análise comparativa entre o antes e o depois, outros salários de funções abaixo daquela no escalão político etc, ou isso não é interessante para a grande mídia? Será que no governo anterior houve reportagem do mesmo veículo de comunicação dizendo: ''Pendurucalhos fazem com que o suposto salário de tanto, se torne na verdade tanto''?

    Às vezes uma reportagem só com frases corretas, verdadeiras, pode gerar na cabeça de uma pessoa um efeito pior que uma mentira. A mentira é outro pecado, mas sempre tem uma resposta verdadeira que a desbanca totalmente, já o tendencionismo de levar uma pessoa a crer que determinada pessoa, determinado grupo, determinada religião, determinado lado político, é sempre o(a) errado(a), pode gerar a longo prazo, um efeito manada onde só de se referir àquela coisa ou pessoa, já se vê em várias pessoas uma aversão. Porque aquela coisa ou pessoa é errada? Não! Mas porque sempre apareceu sendo encurralada nas esquinas da extrema-imprensa.

    Muitos não seguem aquela Igreja porque a acusam disso ou daquilo. O que ela fez realmente de errado? Não sei, mas estão sempre falando algo, deve ter algo de errado!

    Muitos não votam em dado lado político porque toda hora uma acusação aparece na grande mídia! Verdadeira? Não, ou nem sempre! Mas estão sempre falando né!

    Veja como o efeito é perverso e pode gerar na pessoa um repúdio, não porque alguém ou alguma coisa tenha culpa, mas sempre culpa àquela coisa ou pessoa é atribuída. Depois não adianta quantas notas quem provocou soltar, que o desgaste não facilmente se desfará, a menos que o cidadão consciente, diante dessa manipulação insistente, acordar.

    E antes de encerrarmos essa reflexão, o que é a murmuração? Trata-se do ato de comentar sem necessidade os defeitos dos outros. Por vezes vemos alguns prefeitos, governadores e outros políticos fazendo um trabalho tão bom, e porque às vezes uma coisinha atoa deu errado, não por corrupção, lavagem de dinheiro, crime propriamente dito, mas um leve erro que qualquer pessoa pode cometer ao falar, ao planejar e algo ter que ser interrompido ou desfeito por algum equívoco dele ou da equipe que têm se mostrado eficientes; todo um histórico de coisas boas é desfeito por uma reportagem sensacionalista, que não faz o mesmo com quem erra sempre, pelo contrário, com esses, só se exalta e esquece passados tenebrosos tão recentes.

    O Brasil muitas vezes tem apresentado índices de matemática abaixo da média, e na prática é possível se verificar isso na prática. Muitos eleitores e comentaristas de religião, se você apresentar 10 pontos positivos de um lado político ou igreja que são relevantíssimos, eles irão dizer que não votam ou não seguem por causa de 1 suposto ponto que eles nem sabem se é verdade, e por conta disso continua votando naquele lado ou seguindo aquela outra igreja que você apresentou 100 pontos negativos concretos, mas ele defende um suposto positivo, que seria simplesmente ser contra aquele falso negativo do(a) outro(a).



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