Você conhece a história da pequena Li, mártir da eucaristia? Aos 11 anos teve sua páscoa corrigindo um desagravo ao Santíssimo Sacramento sem querer que outro fosse cometido.
Uma história que o mundo passou a conhecer mais amplamente por ser o exemplo de cabeceira do venerável e futuro beato Fulton Sheen (beatificação: 24 de setembro de 2026), grande bispo americano, famoso por suas pregações em programas de rádio e televisão nos Estados Unidos entre 1930 e 1957, enfático na fidelidade aos ensinamentos da Igreja e defesa da mesma.
Dom Fulton Sheen dizia que sua maior inspiração entre tantos santos, beatos e mártires que poderia citar na história da Igreja, não era nenhum bispo, padre ou freira, nenhum grande santo religioso ou religiosa de alguma ordem ou leigos que realizaram grandes feito como obras de caridade etc. Sheen tinha como exemplo de fidelidade à fé, uma pequena menina martirizada por volta dos 11 anos de idade, enquanto reparava um desagravo contra a santíssima eucaristia.
Durante anos de perseguição aos cristãos pelo governo comunista da China em meados do século XX, um paróquia foi invadida por soldados e o padre aprisionado em sua própria igreja numa sala (provavelmente na sacristia). O templo foi vilipendiado, tendo imagens quebradas e o pior, tendo o sacrário profanado, onde 32 hóstias consagradas caíram pelo chão e ali ficaram.
Uma menina, ainda criança, mas fervorosa na fé, não pensou duas vezes em querer cuidar do santíssimo corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. A pequena Li, que tinha por volta de 10 a 12 anos de idade, num período entre a infância e o início da adolescência, se colocou numa missão que durou pouco mais de um mês: Ela se dispôs, por iniciativa própria, a todos os dias entrar na Igreja à noite, quando os soldados não estivessem atentos, e a cada dia comungar um por uma, as 32 partículas consagradas.
Diante deste cenário, muitos podem questionar: Não seria mais fácil ela ter recolhido nas mãos ou em algum recipiente as 32 partículas e levado para casa para num momento oportuno entregar a um sacerdote ou mesmo que fosse comungar, pois o único sacerdote estava preso, mas que fizesse isso em casa? Ou se temia ser abordada na rua e ter as partículas roubadas, não poderia comungar as 32 hóstias de uma só vez no local?
A Igreja sim, permite exceções às regras gerais em casos de necessidade. Hoje sabemos que o fiel, se devidamente preparado, pode comungar até 2 vezes no mesmo dia, desde que a segunda comunhão do dia ocorra dentro da Santa Missa, porém, antigamente, antes do Concílio Vaticano II, as regras eram mais rígidas e a comunhão era administrada somente na boca estando o fiel de joelhos, não sendo permitida a comunhão nas mãos. Obviamente que mesmo naquela época, por se tratar de um caso extraordinário, uma situação de emergência, não seria uma profanação ou sacrilégio, se ela tivesse tomado algumas das atitudes que muitos poderiam sugerir como acima foram citadas; porém, quando olhamos para a história de grandes homens e mulheres que nos precederam na fé, não devemos olhar com olhos de julgamento, mas sim, para a intenção que corria no coração daquela pessoa, como eram as melhores das intenções daquela menina diante de Deus.
Devemos nos recordar que tratava-se de uma jovem menina ainda pré-adolescente, e outra, naquele tempo, as pessoas não tinham toda a noção que têm hoje a respeito das exceções às regras gerais. Naquele tempo, as regras eram bem mais rígidas e embora as exceções sempre existiram, muitos fiéis, sobretudo uma menina em idade de catequese de perseverança, não sabiam avaliar a licitude de atos diante do sagrado, assim como um adulto que hoje tem acesso ao catecismo e outros livros na palma da mão.
O que devemos contemplar é a coragem daquela jovem, que só pode ter surgido em seu coração pela tamanha fé que ela tinha, pelo enorme amor a Deus e à Santa Mãe Igreja. Mesmo em tão pequena estatura e idade, não queria corrigir um desagravo ao santíssimo sacramento com outro desagravo (em sua mente seria um desagravo consumir todas as partículas ou transportá-las sem ser ministra responsável para a função).
Durante 32 dias, Li entrava na igreja pela noite, se ajoelhava, levava a boca ao chão e comungava uma das hóstias consagradas com toda a reverência. O padre a observava, mas não podia falar nada, pois se não, poderia chamar a atenção de algum soldado, que ouvindo a conversa, poderia descobrir a presença da garota e prendê-la ou até matá-la.
No 32º dia, após comungar a última partícula do santíssimo corpo de Nosso Senhor, foi descoberta por um soldado que a martirizou com coronhadas, utilizando um fuzil como instrumento de martírio. Teve sua páscoa por volta dos 11 anos de idade na porta da paróquia que frequentava, após durante cerca de um mês, reparar um desagravo contra o santíssimo sacramento.
A pequena mártir Li da China, entrou para a glória eterna, resguardando que o corpo de Cristo não fosse na terra vilipendiado, ainda que isso incorresse em risco ao seu próprio corpo, seja risco de agressão, prisão ou até mesmo morte, como foi o ocorrido.
Assim como o Dom Fulton Sheen a tinha como exemplo de cabeceira, que possamos também a exemplo desta grande mártir, pequena em tamanho e idade, mas enorme na fé, cada vez mais nos questionarmos como tem sido nosso zelo e reverência com o sagrado: Com que roupa tenho ido à santa missa? Tenho buscado os sacramentos? E principalmente, como tenho preparado o meu coração para mais dignamente receber o santíssimo corpo e sangue do Senhor?
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