Você está por dentro do caso do bebê Brian, cuja incorruptibilidade do corpo 37 anos depois de enterrado se tornou assunto entre os católicos?
O objetivo desta postagem não é afirmar oficialmente nada, tampouco negar, apenas refletir. Um caso que vem chamando a atenção nos Estados Unidos desde 2019, mas com maior repercussão no Brasil alguns anos depois. Trata-se do caso do bebê americano Brian Thomas Gallagher, que 37 anos após ter sido feito um traslado depois de um acidente com uma retroescavadeira no cemitério onde seus ''restos mortais'' encontravam-se sepultados, foi notável o perfeito estado de conservação de seu corpo. Embora tenha sido originalmente embalsamado, mas mesmo assim, o estado de conservação supera o de um simples embalsamento, o que acendeu um alerta para um possível sinal divino.
Quando a família tomou conhecimento do estado de conservação do corpo, toda a história que havia acontecido há quase 40 anos, tornou-se de domínio público. O bebê sepultado havia nascido e morrido pouco após o nascimento. Na época, a primeira coisa que a família católica fervorosa pensou, foi no batismo, que na ocasião ocorreu em caráter de emergência e sob condição, sendo realizado pelo capelão que estava no hospital com as seguintes palavras numa tradução livre: ''Se você ainda está vivo, eu te batizo em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo''.
Essa chamada ''adaptação pastoral'' para a realização do batismo, se deve porque não se batiza pessoas mortas, apenas pessoas vivas, porém, ainda não temos tão claramente esclarecido entre a ciência e a Igreja, o exato momento onde a pessoa realmente deixa a condição mortal e começa o processo de ressurreição, por isso, a forma adaptada da fórmula original do batismo foi utilizada no referido contexto.
A família também tem noção, assim como todo católico deve ter, de que mesmo quando não há o batismo de emergência e/ou sob condição, existe o batismo de desejo, também chamado de batismo de intenção, onde sendo o desejo dos pais batizar o filho assim que ele nasça, mesmo que a mãe perca a criança num aborto espontâneo, isto é, quando por alguma condição clínica, a mulher perde o bebê sem querer, a Igreja crê na misericórdia de Deus e sim, podemos crer que a criança é foi batizada pelo desejo dos pais.
Como dito no início, o objetivo desta postagem, não é confirmar que um dia Brian será canonizado pela Igreja, tampouco o post visa negar a possibilidade, como muitos têm feito. Sabemos sim que a Igreja é cautelosa com todo um processo de canonização, pois é necessário a presença de um milagre para uma beatificação e um segundo milagre para a canonização, exceto se houver uma dispensa papal. Também é importante ressaltar que virtudes heroicas relacionadas à fé devem ser reconhecidas no católico falecido, o que não é impossível para Brian. Alguns internautas que infelizmente olham para a Igreja pensando só na regra pela regra, se esquecem de tantas exceções ocorridas ao longo da história como o caso dos Santos Inocentes, canonizações mais rápidas como a de Santo Antônio, e outras como quando o Papa Francisco dispensou a necessidade de um segundo milagre para a canonização de alguns beatos.
Hoje em dia, basta que alguém poste alguma coisa da piedade popular que aparecem os doctor's doctor querendo seguir a regra pela regra e quando um papa flexibiliza aquilo que ele tem sim a autoridade para flexibilizar, pois não é algo imutável perante à nossa fé, muitos infelizmente condenam.
Talvez, se muitos dos críticos da internet conhecessem a Igreja primitiva, jamais chamariam de missa de sempre, um rito instituído num recorte histórico da história da Igreja e tampouco chamariam de errados quem sugeriu quem gostariam que ganhassem no último conclave. Muitos, inclusive ministros ordenados, perderam tempo alegando que a pessoa não pode sugerir, apenas confiar no Espírito Santo. Durante toda a história bíblica, a oração foi um dos pilares da fé do povo de Deus, o próprio Jesus ensina a pedir ao Pai em seu nome e isto ocorre na ação do Espírito Santo (Mt 7,7; Jo 14,13-14; Jo 16,23-24). Bispos como São Brás, foram eleitos por aclamação popular; São Fabiano foi de leigo a papa. Quando digo que muitos se impressionariam com a Igreja Primitiva, não falo apenas dos protestantes, mas de alguns católicos que não entendem a ação pastoral que permanece na Igreja, as exceções a regras gerais quando necessário, a existência de diferentes ritos, a piedade popular etc. Essa rigidez, como já comentei em outro post, é o que alimenta alguns discursos progressistas de pessoas que querem mudar o que nunca foi mudado e que de fato não pode ser mexido, da mesma forma que o advento de ideias progressistas e inculturações feitas de maneira incorreta e exagerada, alimentam o surgimento de grupos ultrarrígidos. É necessário equilíbrio.
Mas voltando ao caso de Brian, quais virtudes heroicas poderiam ser nele reconhecidas?
Como já nos dizia São Paulo em sua segunda carta aos coríntios, não nos cabe compreender todos os mistério do Reino do Céu, isto é, não nos cabe na cabeça compreender Deus:
''Como está, porém, escrito, 'O que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem entrou no coração do ser humano, é o que Deus preparou para os que o amam'.'' (1Cor 2,9)
Os planos de Deus são um mistério para nós, portanto, não sabemos exatamente qual era a missão de Brian Thomas neste mundo, mas estamos falando de alguém, que caso algum dia se tornasse que seja venerável, ou até beato, poderíamos estar falando de alguém que mesmo sem dizer nenhuma palavra, tenha catequizado sobre a importância da catequese, famílias que se preparam desde o casamento para terem a intenção de se abrirem à graça de ter filhos, e o desejo de batizar a todos os que vierem, mesmo aqueles que a mulher nem se quer sabia que estava grávida e perde, mas sabemos que seria desejo do casal batizar, não estavam evitando ter filhos e nem desconhecendo a necessidade do sacramento. Catequizou também sobre o batismo o quanto antes, assim que a criança nasce, e se não houver tempo de marcar um batizado com curso de batismo antes, que seja realizado em caráter de emergência até mesmo por um leigo, se não houver um sacerdote presente, não há tempo para chamar um e o risco de morte da criança é iminente. Catequizou também a respeito do batismo sob condição, o que abrange uma catequese ainda maior sobre a nossa fé, que não é como a dos fariseus, que fica presa na regra pela regra, mas está aberta a adaptações pastorais conforme a necessidade. Regras gerais são sim necessárias, precisam ser observadas, mas quando há a necessidade de exceções, elas também precisam ser consideradas, o que não podemos deixar acontecer, é o que outros grupos querem, de tornar a exceção, como se fosse a regra geral.
Numa página criada para acompanhar o desenvolvimento do caso na internet, citada no início deste artigo, abaixo da foto de Brain; vemos relatos de possíveis intercessões de Brian Thomas, inclusive por brasileiros. Outro ponto a ser recordado aos regidíssimos de plantão: Devoções começam no meio do povo, a Igreja muitas vezes aprova aquilo que o povo já percebia na piedade popular e ela com sabedoria, analisa cada fato e é a única que tem autoridade para negar ou confirmar, nós podemos apenas suspeitar.
Quantos santos foram aclamados por devoção popular, sobretudo os dos primeiros séculos até a Idade Média, assim como alguns da Idade Moderna, onde após grande devoção popular, a Igreja reconheceu depois de análises que sim, são realmente necessárias para a confirmação. Por que na Idade Contemporânea o mesmo não pode continuar acontecendo?
De volta a Brian, não tenho medo de me colocar no meio daqueles que suspeitam e acreditam na santidade, nos sinais de Deus, sobretudo numa época onde a catequese, sobretudo no que tange ao que é regra e ao que é exceção, a importância do conhecer a nossa fé, do catequizar-se realmente, mas não se tornar um militante, nem ultraconservador nem ultraprogressista, mas sim, apenas católico, que conhece as regras, reconhece a importância de observá-las, mas que também sabe da necessidade das exceções, da existência de adaptações pastoral etc. A fé que deve tanto ser levada a sério, mas não com um coração de pedra, mas com um coração carne (Ez 36,26). Quanto à fé, devemos ser firmes, mas não rígidos.
Quem sabe a missão de nosso querido irmão que teve sua páscoa no dia de seu nascimento, independente se foi batizado por batismo de emergência sob condição ou por batismo de desejo/intenção, era catequizar sobre a vida dos nascituros, a importância da catequese, a busca pelos sacramentos e a validade de exceções devidamente consideradas pela Igreja! Talvez estejamos falando de um futuro padroeiro de tantas crianças abortadas, que mesmo nesse caso sem o batismo de desejo, mas não podemos medir e limitar a infinita misericórdia de Deus. O caso aconteceu na década de 80 dos anos 1900, mas o despertar das atenções apenas em pleno século XXI, diante de tudo o que vivemos, permite sim ao fiel, pensar que não é apenas uma mera coincidência, quem tem fé, sabe como em orações da Igreja está escrito que nem tudo é só teologia na risca, mas piedade popular, como nos diz um trecho da Trintena de São José, elaborada por Santa Teresa D'Ávila:
''(...)inspirado nos ensinamentos da Santa Igreja, dos seus Doutores e Teólogos, e no senso de fé comum e universal do povo cristão, sinto em mim uma força misteriosa, que me alenta e me obriga a Vos pedir, suplicar e esperar que me obtenhais de Deus a grande e extraordinária graça que estou apresentando(...)''
Ver oração completa em: https://meldedeus.com/trintena-a-sao-jose
Outro detalhe curioso, é que o caso ganhou maior repercussão justamente no tempo em que o papa é do mesmo país de Brian. Leão XIV é americano e seu pontificado se dá num momento de maior avivamento católico nos Estados Unidos, onde pela primeira vez, a nova geração estadunidense é de maioria católica. São seria também um sinal divino? Sabemos que Deus é capaz de unir detalhes como livros escritos com milênios de diferença e ainda assim, terem conectividades que nenhum outro livro tem.
E para encerrar, encerro com um trecho da profecia de Jeremias:
''4Veio a mim a palavra do Senhor: 5''Antes que te formasse no seio de tua mãe, eu te conheci, antes de saíres do ventre, eu te consagrei e te fiz profeta para as nações''. 6Respondi: ''Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, sou apenas um menino''. 7O Senhor me respondeu: ''Não digas: 'Sou apenas um menino', pois irás a todos a quem eu te enviar e dirás tudo o que eu te mandar dizer. (...)'' (Jr 1,4-7)
Lembrando que para evangelizar, não é necessário palavras escritas ou pronunciadas, mas também, há outras formas de catequizar, onde situações valem por mil palavras. São Francisco de Assis já dizia: ''Pregue o evangelho o tempo todo, e se necessário, use palavras''.

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