Como as pessoas chegam no Céu: Bebês, crianças, jovens ou adultos? Seremos reconhecidos no Céu? Quem morre fica acordado ou dormindo?
Estes e outros questionamentos associados permeiam em meio aos cristãos, sobretudo porque o católico convive com outros cristãos que ao longo do tempo, desenvolveram interpretações diferentes daquelas transmitidas pelos apóstolos, partindo de ideias e visões com base em versículos isolados das sagradas escrituras, alguns do Antigo Testamento, onde não havia o entendimento de vida eterna que hoje temos (Ecl 9,5-6) e outros do Novo Testamento, onde a palavra ''dormem'' (1Ts 4,13) refere-se a descanso e não a literalmente ''sono''. ''Dormem o sono da paz'', é uma expressão presente na Oração Eucarística I, o Cânon Romano, que significa descansar, pois no Céu não há dor nem sofrimento, apenas graça, calmaria, paz; logo, não é dormir no sentido de tirar uma soneca, mas no sentido de descansar. No nosso Hino Nacional Brasileiro, sabemos que não estamos literalmente deitados eternamente em berço esplêndido, mas literalmente descansamos numa terra sem conflitos, sem guerras.
Quando morremos, ressuscitamos num corpo glorioso, porém, cada um terá uma continuidade. Aquele que negou a Deus até o fim, O perderá eternamente, é o que chamamos de Inferno; por outro lado, esperamos todos nós que O buscamos, ganhá-lo eternamente, é o que chamamos de Céu. Temos ainda, a realidade do Purgatório, que trata-se de um período de purificação dos pecados perdoados, mas ainda com a culpa temporal da consequência dos mesmos, onde devemos permanecer para nos purificarmos para finalmente ganharmos o Céu. Embora muitos questionem a realidade do Purgatório, devemos olhar para quando Nosso Senhor fala do Reino dos Céus e apresenta parábolas para falar dessa realidade. Após o Sermão da Montanha, Ele nos apresenta a ideia de mesmo não perdendo eternamente a recompensa, devemos nos purificar até pagar o último centavo (Mt 5,26).
E como chegamos à realidade pós-morte?
Deus é aquEle que nos completa e também aquele que nos restaura. Quem morre ainda bebê, na mais tenra infância, no decorrer da infância, na pré-adolescência, na adolescência ou início da juventude antes da fase adulta, Deus o completará, e a pessoa ressuscitará um adulto consciente que poderá pensar racionalmente sobre sua fé. Quem morre já idoso ou o adulto entre a fase adulta inicial e o início da velhice, mesmo que foi as poucos perdendo as forças e/ou até mesmo a lucidez, Deus restaura o que foi perdido, como as memórias de alguém que morre com mal de Alzheimer. Se alguém nasceu cego, ressuscita com plena visão, tal qual quem perdeu a visão durante a vida ou sempre a teve com problemas, ressuscita com a visão plena. O nosso corpo glorioso é perfeito, ressuscitaremos na perfeição e não com as mazelas deste mundo, isto é, na ressurreição teremos um corpo similar ao que teremos, temos ou tínhamos por volta dos 21 aos 25 anos aproximadamente, porém, perfeito, sem cicatrizes, manchas de idade, deficiências etc, independente da idade que cada um tem sua páscoa.
E sim, seremos reconhecidos no Céu pelo que fomos na Terra, embora lá não exista a realidade de parentesco e hierarquias como títulos, cargos etc, mas saberemos quem é quem. Como Pedro, Tiago e João reconheceram Moisés e Elias quando Jesus os permitiu ver na Transfiguração, mesmo num tempo em que não havia foto para saberem como eram fisicamente? Porque ao olhar para alguém na realidade celeste, vemos passado, presente e futuro, que coexistem, é uma realidade para além da nossa. Eles reconheceram Moisés e Elias pelo que foram, pelo que fizeram, pelo que sabiam deles (Mt 17,1-8; Mc 9,2-8; Lc 9,28-36).
E não, não ficamos dormindo esperando todos terem suas páscoas para podermos ressuscitar no fim dos tempos, todos chegamos acordados no Reino dos Céus, embora ainda em corpo glorioso após o juízo particular e o tempo de Purgatório de cada um, sendo que apenas no fim dos tempos no juízo coletivo, que teremos a ressurreição da carne de forma perfeita, o que Deus já apressou em Nossa Senhora quando ela foi assunta aos Céus em corpo e alma. Moisés e Elias estavam acordados quando foram vistos na transfiguração, e mesmo que alguém alegue crer ter sido só uma visão, temos outros trechos bíblicos que nos afirmam a mesma ideia de plena consciência no pós-morte, como quando Jesus conta a história do pobre Lázaro e do rico mau (Lc 16,19-31). Mesmo que ainda alguém diga crer que foi apenas uma parábola e não uma história real, mas mesmo quando Jesus conta parábolas, Ele nunca usa elementos que contrariam a nossa fé, por exemplo, Jesus nunca conta uma parábola falando de reencarnação como mero plano de fundo para transmitir uma moral da história no final, pois Ele jamais fala de coisas que não existem, sempre usa elementos existentes; portanto, ainda no argumento de quem alegue ser uma simples parábola, é do interesse de Jesus que creiamos que as pessoas no pós-morte, estão acordadas e conscientes, como citou o exemplo do patriarca Abraão e do pobre Lázaro na ressurreição dos justos e o exemplo do rico mau na perdição; e ainda, ninguém pode alegar que Jesus se referia ao final dos tempos no referido contexto, pois o rico mau fala sobre seus irmãos que ficaram na Terra; nunca que Jesus falaria algo que contrariasse a fé revelada, portanto, se não existissem pessoas conscientes na ressurreição sabendo que há outras que ainda estão aqui em nosso mundo, Ele jamais usaria esse exemplo mesmo que fosse uma simples parábola com objetivo de apenas trazer um moral da história. Também temos o exemplo de São Dimas, o bom ladrão, como é conhecido pela tradição da Igreja (Lc 23,39-43), onde Jesus não disse que no fim dos tempos estaria com Ele no paraíso, mas ainda naquele dia, e quando Jesus falou ''ainda hoje'', Ele estava ainda nesta realidade temporal do nosso mundo, e mesmo que alguém ainda faça um malabarismo para tentar dizer que é um hoje simbólico, kairós etc, só a explicação da parábola do pobre Lázaro e do rico mau, já arremata todos os demais possíveis argumentos.
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