Muitos falam contra as armas, mas o catecismo permite a legítima defesa, enquanto que aborto, eutanásia e drogas são sempre condenados, e aí?
No Artigo 5 do catecismo da Igreja Católica, vemos a respeito do quinto mandamento da Lei de Deus: ''Não matarás'' (Ex 20,13)
Já no primeiro parágrafo deste artigo, número 2258, vemos que:
"A vida humana é sagrada porque desde sua origem ela encerra a ação criadora de Deus e permanece para sempre numa relação especial com o Criador, seu único fim. Só Deus é o dono da vida, do começo ao fim; ninguém, em nenhuma circunstância, pode reivindicar para si o direito de destruir diretamente um ser humano inocente.''
Veja a última palavra do parágrafo acima: ''inocente''. Muitas vezes o sangue de pessoas que caíram após derramar tanto sangue inocente, é mais cobrado e lembrando que o sangue daqueles que nem se quer podem vir a este artigo e comentar sua opinião contrária ou a favor do que aqui está sendo argumentado. Infelizmente, vemos muitos cristãos católicos falarem contra as armas, sem nem pensar que elas já estão nas mãos daqueles que cometem barbaridades, e se esquecerem que projetos que permitiriam o acesso a elas pelo cidadão que deseja se defender e defender sua família, seriam para conceder acesso àqueles que as usariam para a proteção e não para o mal. Em discursos completamente descontextualizados da realidade, muitos falam como se restringir o acesso, acabariam as armas na sociedade, se esquecendo que o comércio clandestino é que fornece armas para quem pratica crimes, enquanto que o comércio legalizado, seria justamente para aqueles que querem se defender de quem compra na clandestinidade.
Quantos dizem erroneamente que defender o acesso a armas é incompatível ao cristianismo, mas votam em partidos que apoiam aborto, ideologia de gênero, legalização de drogas, eutanásia etc. Não estou aqui defendendo pessoa X ou pessoa Y, partido A ou B, mas dizendo que não podemos manipular a verdade criticando uma coisa aceitável e levando o povo a acreditar que o inaceitável é a opção menos pior. Ficar em cima do muro igual Pilatos é o que não podemos.
Na parte do artigo do catecismo em análise, onde iniciam-se subtítulos, tendo como título principal: ''O respeito à vida humana'', teremos como 2º subtítulo: ''A legítima defesa'', como 4º subtítulo: O aborto'' e como 5º subtítulo: A eutanásia.
Na parte que trata da legítima defesa, podemos ver que o catecismo deixa claro que não se trata de uma exceção para matar, mas a morte do agressor vem como consequência de proteger a própria vida que deve ser cuidada, por isso mais adiante, após a eutanásia, o tema é o suicídio.
Quando se mata alguém para se defender, a intenção não é matar, mas proteger sua vida, quer-se apenas a proteção e não a morte. É preciso no entanto entender que: Apenas quando não há outros meios para se defender, que a morte do agressor será a opção - Esta só deve ocorrer em último caso, quando não há como se proteger, fugir, segurar etc. Devemos nos recordar que mesmo no caso de um assalto, com tudo que o assaltante sempre esteja errado, mas se não colocou sua vida em risco, a vida dele vale mais que o bem roubado, logo, sua vida deve ser preservada, pois aquela pessoa tem chance de conversão, porém, se sua vida e de terceiros sob sua responsabilidade encontra-se ameaçada, e a única solução é tirar a vida do agressor, neste caso a licitude do ato está na defesa da própria vida, no amor a si mesmo e aos seus. O catecismo ressalta também, que ''a legítima defesa pode ser não somente um direito, mas um dever grave, para aquele que é responsável pela vida de outros'', no contexto em que começa a falar sobre o papel das autoridades, mas vale lembrar também, que os pais são responsáveis pela proteção de seus filhos, tal qual o marido também é responsável pela proteção da esposa.
Vemos que com tudo que devemos ter cautela no quando de fato é necessário o uso da legítima defesa, ela é permitida. Vemos posteriormente, porém, que o aborto e a eutanásia são condenados e no segundo título do artigo: ''O respeito à dignidade das pessoas'', também dividido em subtítulos, podemos ver no 8º parágrafo deste título, o 4º do subtítulo: ''O respeito à saúde'', a condenação ao uso de drogas. Certos partidos, não querem apenas o uso terapêutico de algumas substâncias à base de alguma planta utilizada para produzir drogas ilícitas, mas sim, tornar legal o consumo recreativo, o que ''causa gravíssimos danos à saúde e à vida humana'' (2291). Será mesmo que quem propaga discursinhos prontos achando que o povo não tem acesso à informação realmente sabe o que fala, lê o catecismo, ou só quer defender paixões políticas e atacar aquilo que não entende com a dinâmica do espantalho, acusando as pessoas daquilo que as desenham?
Vemos em anos eleitorais, diversas pessoas atacando quem defende a legítima defesa, quem defende a segurança pública, e muitos quando questionados, dizem que também não apoiam ideologia de gênero, eutanásia, aborto e legalização de drogas; mas atacam 24 horas por dia quem defende uma coisa passível diante do cristianismo, mas não falam nada de quem apoia as coisas completamente condenáveis. Quem os escuta e não sabe, vai entender o que? Com tudo que as opções não são as melhores, mas votará naquela que não estão criticando. Muitos acham bonito falar que não são nem A, nem B, mas é preciso esclarecer, que numa eleição, votar em A ou B, não significa assinar embaixo tudo que A ou B fala, mas analisar entre as opções que vão para um segundo turno, qual é a melhor, ou muitas vezes a menos pior, ou por acaso estão apoiando Pilatos, ficando em cima do muro? O povo precisa se posicionar não para defender ninguém ou partido específico, mas mostrar realmente aquilo que precisa de atenção e aquilo que não pode realmente ser aceito por um cristão.
E para encerrar, quem gostaria de saber se o que a Igreja fala é amparada pela lei dos homens, eis o que diz o Artigo 25 do código penal brasileiro:
“Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.”

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