Proibir o proselitismo não é o caminho

(Imagem gerada pelo ChatGPT)

Texto de Raí José Maciel da Silva,
professor, escritor e editor formado em Geografia-Licenciatura, Letras-Inglês
e pós-graduado em Teologia.

    Para quem não sabe, o proselitismo nada mais é, que a difusão de uma fé, por meio do anúncio, o que chamamos no catolicismo de querigma, assim como também o desenvolvimento do mesmo, que é a catequese ou evangelização. O termo também é empregado para se referir à difusão de outras fés, desde que haja o anúncio daquela religião.

    Muitas pessoas que não têm religião nenhuma e é direito delas isso, se incomodam quando alguém tenta falar de Deus ou qualquer outro tema voltado para a fé com elas. Outros, mesmo possuindo suas crenças independente se seguem alguma religião ou não, sentem-se incomodados quando alguma pessoa tenta pregar sua fé para eles. Muitos governos que veem a religião como caminho para a libertação, onde as pessoas podem vir a se levantar contra determinados regimes, se aproveitam disso para proibir o anúncio.

    Nesse cenário, muitos países adotam a proibição ao proselitismo e que muitos até comemoram, como alguns próprios católicos, que mal sabem da perseguição que sua fé sofre em alguns lugares no exterior, só porque gostariam que aqui o sistema fosse adotado para evitar que algum irmão de alguma denominação cristã venha pregar sua fé para ele.

    Todos nós somos livres e por mais que alguém não goste quando outrem fale de outra fé para nós, podemos nos recusar a ouvir e também evitar o contato não atendendo ou desviando o caminho. Já de imediato podemos deixar claro nosso posicionamento e encerrar o assunto no começo, tal qual se for de interesse do interlocutor, debater questionamentos teológicos com o locutor.

    Se você tem uma fé recebida de sua família, é porque um dia lá atrás, um de seus tatatatatatataravós, foi evangelizado, alguém falou de Jesus para ele e ele se tornou católico.

    Impedir o proselitismo porque ouvir de outras fés lhe incomoda, é uma atitude egoísta de pensar que você e sua família já conhecem a fé e a vivem, os outros que corram atrás para conhecer.

    Nos primórdios do Cristianismo e durante muitos séculos seguintes, a catequese chegou aos mais longínquos lugares da Terra, em todos os continentes, por meio dos missionários que levavam a fé a todos os povos. Uma das missões que Cristo nos deixou é a de ir por todo o mundo e a todos pregar o evangelho (Mc 16,15).

    Se hoje temos fé, é porque outrora à nossa família ela foi anunciada. E se hoje muitas pessoas nunca ouviram falar de Jesus, nem sempre é por falta de interesse dos cristãos, mas porque muitas nações dificultam o processo.

    Países que proíbem o proselitismo, atacam a liberdade das pessoas ao invés de protegê-las, pois cada um pode escolher seguir ou não seguir, podem optar por crer ou não crer, ou até mesmo pedir licença se alguém se propor a falar ou ainda, debater e sua tese apresentar. Quando são restringidas do anúncio, jamais terão a oportunidade de ouvir uma evangelização que parte de um testemunho presencial, sendo que pode ser que gostariam caso tivessem a oportunidade.

    Há quem ache errado catequizar povos indígenas como se eles não tivessem poder de decisão. Jamais podemos tratar povos originários como incapazes de decidir seu próprio futuro.

    Muitos defendem que cada um siga sua fé e tudo bem, mas não é bem assim. Como já dito, você só tem uma fé porque alguém algum dia transmitiu para sua família no passado e ela hoje transmitiu a você. Muitas famílias hoje podem estar no aguardo para que um dia exista uma pessoa lá na frente como você, que já nasceu em berço católico.

    Existem países que são apresentados como modelos disso ou daquilo, mas que na verdade restringem a liberdade, e muitos defensores da libertinagem, acabam defendendo nações que colocam a população numa espécie de redoma de vidro:


China

    Apresentada como exemplo de desenvolvimento por alguns defensores do comunismo e/ou do socialismo, mas se esquecem que a economia do país só cresceu, porque a nação que se autodenomina Nação Central*, adotou um comércio capitalista. Em outras palavras, só se tornou a fábrica do mundo, quando adotou um viés capitalista de mercado, como outros países apresentados como modelos de socialismo.

    O que falta na China é dar liberdade ao povo para opinar, professar a fé, catequizar e sobretudo, poder criticar o governo se for necessário. Muitos elogiam a China e fazem vídeos para o Instagram dizendo que estão numa Igreja Católica na China, mas se esquecem da interferência do governo nas escolhas de quem a Igreja pode escolher para ser bispo e também não sabe o quão as homilias devem ser limitadas para atenderem ao que a chamada República Popular da China permite.


*Nome da China em chinês(Mandarim):

中國 (caracteres tradicionais)

中国 (caracteres simplificados)

Zhōngguó (''Zh'' lê-se com som de ''dj'')

Literalmente significa ''Nação Central''.


Maldivas

    Paraíso, mas só para o corpo, e não para alma. Enquanto que muitos pagariam caro por umas férias nas Maldivas, eu nem de graça gostaria de ganhar numa promoção. O que um católico tem pra fazer num país sem Igreja Católica e que proíbe além do Islamismo, qualquer outra religião. E mais, não só lhe proíbe publicamente professar a sua fé, como não pode entrar com bíblias, crucifixos, nem nada que deixe claro quem você é. A nossa identidade está no que cremos, portanto se não podemos professar livremente, relaxar nesse lugar não podemos.

    Como aproveitar a brisa do mar, comer do bom e do melhor, ver águas claríssimas, se não podemos ir na Santa Missa. Sem poder o Espírito soprar como a brisa do mar, sem o verdadeiro alimento para a alma que é a eucaristia, o que me vale caminhar no meio do mar nesta visita, se estamos com relação à fé à deriva? A verdadeira brisa que dá a vida não é o vento do mar que refresca, mas o sopro do Espírito Santo que dá a vida e desde a criação pairava sobre as águas (Gn 1,1-2).


Butão

    A nação mais feliz do mundo segundo pesquisas, sendo que pra quem já descobriu qual é a verdadeira felicidade, nestes dados estatísticos não acredita.

    Sim, eles podem ser felizes no que conhecem até então, mas mais ainda poderiam ser mais ainda se tivessem que seja a possibilidade de ouvirem e se decidirem com base no próprio poder de decisão.

    Pra quem acha que é prepotência e arrogância da Igreja falar que o Catolicismo é a verdadeira felicidade, tudo bem, se não quiser, pode negar, mas deixe cada um decidir sua espiritualidade. Ah, eles estão felizes na fé deles. Ok! Mas quem não deve não teme! Se você estiver tão seguro de sua afirmação, deixe-os conhecer a fé católica, e eles mesmo que façam a escolha com base no poder de decisão.


    Tantos outros exemplos eu poderia citar, mas estes já nos permitem mais profundamente no tema mergulhar.


    Nessa altura, já deve ter gente doido para criticar, dizendo que no passado, muitos erraram na hora de evangelizar. Muitos já devem estar ansiosos para dizer que a fé forçada como alguns tentaram no passado fazer, não é o caminho certo para crer. Uai, se não concorda com o que eu escrevo, por que esta aqui a ler?

    Não é por erros do passado que o presente não pode ser diferente. Ninguém está falando de colonização, de imposição, mas de poder de decisão.

    Países que julgam saber o que é melhor para a população, nunca são a solução. Quem defende a democracia de verdade, defende cada um poder escolher sua sorte e não as regras ditadas igual é feito na Coreia do Norte.

    Quando citamos o referido país, assim como Cuba, mais recentemente a Nicarágua, e outras realidades, muitos questionam o que têm a ver, mas se esquecem que nem tudo começa de uma vez, vai por vezes a conta-gota. Assim dizem que os exemplos são China, Vietnã entre outros mais, mas se esquecem que qualquer supressão das liberdades individuais, são censuras contra as quais, eles lutam nas democracias ocidentais.

    Proibir o proselitismo é o mesmo que proibir campanha da oposição na política, proibir a livre concorrência no comércio, proibir a pessoa de emigrar, entre tantos exemplos a mencionar.

    Posso até concordar que seja proibida a gritaria em praça pública, tal qual no ônibus ou no metrô, mas proibir uma procissão que até fecha o trânsito mas passa e segue, não fica o dia inteiro, é exagero; proibir templos ou quando os permitem existir, mas são vigiados pelo governo, é inaceitável de engolir; proibir a evangelização de boca em boca se um cidadão quis parar para ouvir sobre a fé, livremente aceitando receber a catequese, é tratar a pessoa como incapaz, e conduzir a nação em marcha ré; proibir símbolos religiosos em templos e com o cidadão, é um ataque direto à liberdade de expressão.


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