Não caia em falsas simetrias nem na falácia do espantalho e assim não entre no efeito rebanho

(Imagem gerada pelo ChatGPT)

Texto de Raí José Maciel da Silva,
professor, escritor e editor formado em Geografia-Licenciatura, Letras-Inglês
e pós-graduado em Teologia.

    Algo simétrico é algo que segue uma mesma linha, pode ser comparado a outro que segue a mesma simetria. Algo assimétrico, é algo que destoa completamente de outro não sendo possível a comparação. Falsa simetria, porém, trata-se de falsas comparações, onde parece uma comparação legítima mas não é, veja os exemplos:


Na religião:


    Muitas pessoas questionam o fato dos livros bíblicos do Novo Testamento terem sido escritos muitos anos após os eventos da vida de Cristo, porém, nada disso os desqualifica, tudo que foi posto no papel por divina inspiração, estava preservado perfeitamente na tradição.

    A mesma tradição utilizada para escrever os livros bíblicos sob inspiração divina pelos autores sagrados, foi a mesma tradição utilizada com a autoridade do magistério, para no século IV, separar o que era canônico, isto é, divinamente inspirado do que é apócrifo, ou seja, contém heresias, isto é, pontos que não batem com a tradição oral.

    Muitos estudiosos até mesmo católicos, gostam de fazer perguntas do tipo: ''Você se lembra o que almoçou ontem?'', para tentarem transmitir uma ideia de difícil precisão por parte dos apóstolos e evangelistas. Primeiramente, devemos nos lembrar que não é só um texto qualquer, mas inspirado por Deus, e outra, essa comparação com o que comemos ontem, é uma pseudocomparação, isto é, uma falsa simetria. Realmente, ignoramos coisas não marcantes, meramente rotineiras de nossas vidas, mas eventos que marcaram nossa história, sejam positiva ou negativamente, ficam na nossa memória como se fossem hoje; portanto, comparar a plenitude dos tempos para quem realmente reconheceu em Jesus Cristo, o Messias, com o que comemos no almoço do dia anterior, não é uma comparação legítima, é como comparar um diamante com um cascalho. Você pode não se lembrar o que comeu ontem no almoço, se escovou os dentes ontem antes de dormir ou não, mas provavelmente se recorda com riqueza de detalhes o dia do seu casamento, o dia de sua formatura, o nascimento de um filho, um aniversário marcante etc.

    Vários outros escritos dos primeiros séculos confirmam as escrituras e a tradição oral, tal qual descobertas arqueológicas cada vez mais terminam de comprovar o que a Igreja de Cristo sempre disse. Nada de ingenuidade ou desonestidade intelectual, aquilo que marca, fica em nossas memórias de maneira sem igual.


Na política:


    Um dos diversos pontos ideológicos debatido na política e que gera o posicionamento de pessoas das mais diversas religiões e também de pessoas que não seguem nenhuma fé, é a questão do banheiro coletivo multigênero.

    Muitas pessoas questionam com uma falsa simetria se na casa de cada um há um banheiro exclusivamente masculino e outro exclusivamente feminino.

    Por que trata-se de uma comparação ilegítima? Porque em casa, além de lidarmos com pessoas que conhecemos e não estranhos, o banheiro é de uso individual e não coletivo.


Teoria do espantalho ou falácia do espantalho


    Trata-se de criar um espantalho a ser criticado e atribuí-lo a algo ou alguém, como por exemplo: Quando criticam a Igreja Católica pelo que ela não é ou acusando-a de fazer o que ela não faz. Há quem diga que não concorda com adoração de imagens, com falar que Deus passou a existir no ventre de Maria etc, tudo coisas que a Igreja nunca fez nem disse, mas pintam essa imagem e atacam com esses argumentos. Outras vezes, usam da falácia de atacar a Igreja pela atitude de pessoas da Igreja, como se uma religião, instituição, área de estudo ou trabalho etc, fosse culpada pelas decisões erradas tomadas por pessoas da referida área e acobertadas por outras da mesma.

    O mesmo ocorre o tempo todo na sociedade em vários outros contextos como no campo político, onde muitas pessoas passam a amar dada pessoa e odiar outra, pelo que é falado de cada uma delas, sendo que tratam-se de espantalhos criados de cada um e mesmo quando se deparam com a verdade provada de que aquela pessoa que amavam não é nada daquilo de positivo que pensavam, pelo contrário, tem um histórico negativo igual ou pior ao que pensavam que o outro que odiavam tinha, continuam amando, votando, apoiando. O mesmo acontece no oposto, pois por vezes veem que tudo aquilo que alguém era acusado de ser ou fazer, não procede, e pelo contrário, a pessoa tem vários pontos positivos que eram esperados daquele que a pessoa tanto amava, e continua amando, enquanto segue odiando e falando que não pode votar em hipótese alguma naquele que injustamente pensou mal.


Efeito manada ou efeito rebanho


    É o contágio imediato que implica em repetir ações, palavras, pensamentos e gostos da maioria sem ao menos questionar-se sobre o porquê daquilo.

    De fato, temos um mecanismo de defesa, que é essencial: Quando estamos diante de uma situação onde muitas pessoas correm e gritam, nos colocamos em alerta e também corremos e nos protegemos, pois não sabemos qual é o risco iminente, então, não precisamos esperar que o perigo chegue até nós para que o vejamos e nos protejamos, nesse caso, é para a nossa própria segurança e proteção.

    O que não podemos, é aplicar isso em tudo, como quando estamos no conforto de nosso lar e do nada seguimos a música da moda mesmo sem gostar, compramos algo que não precisamos só porque todos estão comprando e começamos a formar nossa opinião a partir do que dizem, do que pensam e não a partir do que de fato é.


Conclusão


    Enfim, para encerrar, não caiamos como as águas de uma cachoeira num efeito cascata ou como as peças de um jogo num efeito dominó. Para isso, não permitamos ser só mais um na multidão, mas alguém que pensa com a razão e não só com o coração.


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