Exigimos tanto: por favor, com licença, obrigado e me desculpe - Mas nos esquecemos da gratidão
Assim como o salmo nos ensina: ''Dai graças ao Senhor porque Ele é bom; 'eterna é a sua misericórdia'.'' Sl 117(118),1; também devemos aprender a sermos gratos uns aos outros, pois o próprio Senhor nos ensinou e seu apóstolo São João em sua 1ª carta reforçou:
20Se alguém disser: “Amo a Deus”, mas, entretanto, odeia o seu irmão, é um mentiroso; pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê. 21E este é o mandamento que dele recebemos: aquele que ama a Deus, ame também o seu irmão.
1Jo 4,20-21.
Agora parafraseio: ''Como podemos dizer que somos gratos a Deus que não vemos, se não temos um pingo de gratidão para com o nosso irmão que vemos?''
Isso já começa desde criança quando aquele aluno do primário pede o material do coleguinha emprestado todo dia e obtém, no dia em que o outro nega, já responde dizendo: ''Também nunca mais te empresto.'' Pode até parecer uma prática infantil, mas será mesmo? Olhe para o meio onde você está na juventude ou na fase adulta, e dependendo do caso, olhe para você mesmo! Será que no seu meio não há inúmeras pessoas adultas ou jovens que agem assim, quando não é o seu próprio caso?
Vemos incansavelmente parentes e amigos, vizinhos e colegas de trabalho, paroquianos e sacerdotes, entre tantos exemplos que eu poderia citar, constantemente se desdobrando por alguém, pela casa (família), pela vizinhança, pelo local de trabalho, pela paróquia, por tantas pessoas e lugares; e no dia que aquela pessoa diz um ''não'', no dia em que aquela pessoa que nunca se ausenta falta, no dia em que a pessoa se recusa a realizar uma tarefa depois de fazer tantas sem se queixar, só vêm pedradas, críticas de todo o tipo, caras feias e inimizades começam a surgir.
Vemos hoje um apreço por costumes que são belos, mas da forma que muitos usam, tornam-se meramente superficiais, como dizer: ''por favor'', ''com licença'', ''obrigado'', ''desculpe-me''; sendo que a pessoa não está pedindo, está (praticamente) mandando; não está gentilmente desejando passar, está (praticamente) empurrando; não está agradecendo, está (praticamente) achando que já era obrigação do outro; não está preocupado com o que fez ou deixou de fazer (ao outro), está (apenas) preservando sua imagem, pois seu ego não permite ser mal visto. Quanta gente que cobra o uso de tratamentos como ''o senhor'', ''a senhora'', ''vossa excelência'', ''sua bênção''; mas pelas costas critica, só finge respeito. Por vezes há pessoas que estão em dia com os pais, o padre, as autoridades e o patrão, mas olha com olhares de julgamento o irmão, quando não fazem da vida dele um desastre com comentários sem noção. Há quem cobre que a pessoa não chamou o padre de padre por ser amigo, mas não presta a assistência como o outro tem feito a finco; acha feio o irmão falar educadamente: ''Deixa eu só dar uma passadinha!?'' (Dizendo isso com um sorriso sincero), mas diz com cara de tacho ''Cooom liceeença!''.
Não faço aqui uma crítica aos pronomes de tratamento, tampouco às frases educadas que aprendemos no pré-escolar, porém, nada disso adianta, se o respeito e principalmente a gratidão, conosco não caminhar.
Há pessoas que vivem dizendo: ''Sua bênção senhor, por favor, com licença, me desculpe, obrigado!"; mas não são capazes de sentirem um pingo de gratidão pelo que a pessoa já fez por elas, tampouco pelo irmão que nunca por elas fez; e mesmo que fizer, a reação será igual.
Há quem cobre que certas pessoas não usam essas expressões, mas se esquecem que por vezes esses, tem maior respeito e gratidão, os quais elas deveriam pedir uma aula de revisão. Se virou moda exigir tudo isso, por que não começar pelos valores aprendidos e infelizmente perdidos lá no princípio?
Reflitamos: Será que quando negamos um favor que poderia sim ser feito a alguém, nos recordamos de todas as vezes que aquela pessoa foi solícita para conosco? Será que quando começamos a desdenhar de alguém por alguma razão, não falta um pouco que seja de gratidão por tudo o que a pessoa nos fez até então?
Gratidão VS Eterna obrigação
Devemos sim ser gratos, porém, isso não significa que devemos nos tornar escravos, assim como não podemos ser bobos. Ser grato é reconhecer que ou mal ou bem, alguém te ajudou, e isso consiste em não maldizer, mas bendizer o irmão. Se devemos amar até os inimigos e rezar por aqueles que nos perseguem (Mt 5,44), por que deveria ser diferente com quem talvez por uma situação nos desagradou, sendo que outrora nos fez o bem?
Muitas pessoas pensam que gratidão consiste em retribuir favor - Bom, isso é algo que pode e deve vir com o tempo, mas não como obrigação, mas como parte da caminhada e dentro da possibilidade de cada um - Você não precisa se arrebentar para fazer algo que não é do seu feitio para alguém, porque aquela pessoa fez isso ou aquilo por você, pois ela também deve fazer sem esperar nada em troca, porém, não custa nada na possibilidade, sendo gratos, retribuirmos o favor de alguma forma.
Ninguém deve favor pelo resto da vida e se torna escravo de outrem. Muitas pessoas pensam que porque alguém as ajudou no passado, hoje precisam assinar embaixo em tudo que o outro faz, para poderem dizer que são gratas - Isso não é verdade! Devemos sim reconhecer as virtudes do nosso irmão e evitar ficar criticando as atitudes dele, a menos que seja algo necessário para o bem de todos, mas não precisamos assinar folhas em branco sendo que a pessoa não faz juízo a isso.
Vira e mexe cito o campo da política, que é um meio que queira ou não, faz parte da nossa sociedade e nossa vivência: Há candidatos que muitas vezes se elegem com o nome de outro, aparecendo como apoiadores de fulano ou cicrano. Sim, é esperado que a pessoa seja grata ao outro, mas também, não precisa pelo resto da vida achar que só aquela pessoa é a solução, principalmente se você já construiu um trabalho próprio e depois já notou naquela pessoa alguma decepção.
Da mesma forma que é triste ver candidatos que se elegeram às custas de outro, e já logo viram de lado e começam a descer a lenha naqueles que, que seja pelo nome, permitiram que eles ficassem mais conhecidos e fossem eleitos, também é triste quando aquela pessoa que fora uma inspiração para o crescimento daquele que hoje é um expoente pelo próprio trabalho, quer cobrar, mesmo mudando os rumos do barco e se envolvendo em situações desagradáveis, que o outro sempre o apoie custe o que custar. De fato, o outro ganhou com o seu nome, mas, na época ele também lhe ajudou lhe apoiando; se hoje você mudou ou se afastou daquilo que fora prometido e o outro se destacou por méritos próprios, fazendo acontecer pelo próprio esforço e dedicação, não é justo querer uma eterna proteção e aprovação, se não é assim que aquele que foi ajudado, entrará em contradição. Não recomendo também, que aquele que cresceu por seus méritos após ter ganhado com o nome do outro no passado, sair criticando aquele que mesmo por mero interesse, ou mesmo sem saber, no passado o ajudou; mas também não precisa passar pano se seus objetivos e conceitos foram preservados e o outro que mudou; pode sim criticar, mas há palavras certas para discursar, pois senão, mesmo estando certo, pecará pela ingratidão. Diga que infelizmente teve que romper, é uma pena que não esteja sentindo mais aquele comprometimento da parte daquela pessoa como sentiu no passado, que está encontrando mais isso em outro lado, mas não vá para o público desfazer completamente do outro, pois caso contrário, você será o estúpido.
Há patrões que sim, erraram quando você foi funcionário, e você não precisa ser aquela pessoa que ingenuamente, fica naquele lugar eternamente, aturando todo tipo de desaforo de quem não pensa no próximo; porém, não saia falando mal, nem espraguejando a empresa que te deu sustento, nem aquela oportunidade que lhe permitiu mais adiante, desenvolver seus talentos. Talvez hoje você já tenha uma certa abertura maior para trabalhar por conta própria, tenha experiência no currículo para buscar outro emprego, ou até mesmo já possa abrir o próprio negócio, mas não se esqueça que às vezes se não fosse aquela oportunidade, mesmo que ruim lá atrás, você hoje não teria chegado onde chegou - Por vezes é a pressão que te fez tomar uma melhor decisão; talvez é por desfazerem de você, que isso lhe inspirou a vencer, a querer cada vez mais crescer, não no sentido de uma autodemonstração besta, que só te tira a paz, mas são situações que mostram realmente daquilo que você é capaz. Hoje você sabe lidar com fornecedores na sua empresa particular, mas você já dominava tudo isso antes daquele primeiro emprego lhe permitir neste ramo começar? Não estou justificando aqui patrões ruins, atitudes más, pessoas mal-educadas e tantas outras coisas erradas, apenas lhe levando a refletir: Vamos juntos pensar!
Lembre-se que na mãe de todas as missas, no Sábado Santo, no Exsultet ou Precôncio da Páscoa, cantado na Vigília Pascal, é dito: “Ó feliz culpa, que mereceu tão grande Redentor!”.
Se a Igreja nos ensina a agradecer até o pecado original de Adão e Eva, que mesmo sendo algo errado, que permitiu entrar no mundo o pecado, mas nos permitiu tamanha redenção pelo Nosso Amado Redentor Jesus Cristo; o que mais não devemos neste mundo agradecer? Pense nisso!
Mas assim como a Igreja ensina, mesmo agradecendo o positivo que veio de algo negativo, jamais devemos concordar com o erro e tampouco devemos mantermo-nos nele, mas sim, devemos agradecer pela solução que nos é dada e que nos permite seguirmos ainda mais fortes na caminhada.
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