Como diria Dom Henrique Soares: ''Não basta ser direito, tem que parecer direito''

Imagem gerada pelo ChatGPT

Texto de Raí José Maciel da Silva,
professor, escritor e editor formado em Geografia-Licenciatura, Letras-Inglês
e pós-graduado em Teologia.

     Quando o saudoso bispo de Palmares - PE, falecido em 2020, Dom Henrique Soares da Costa, disse a referida frase, ele se referia aos padres, porém, vou além, e aplico-a a todos nós cristãos católicos. Não basta só sermos coerentes com a nossa fé, mas devemos também transmitir isso e não estou falando em se amostrar, em querer aparecer, mas sim, permitir transparecer o correto e não ficar dando margem para parecer o contrário, pois se não, pecamos pelo contratestemunho, pois não somos responsáveis apenas pelo nosso pecado, mas pelo que provocamos intencionalmente ou assumimos o risco de provocar nos outros, ou seja, tanto por imprudência ou por negligência.

    Muitas pessoas vivem uma vida correta como a nossa fé ensina, porém, por uma mera falta de capricho, alguém joga tudo ladeira abaixo, por um gesto, uma fala, um ato, que transmitiu ser o total oposto daquilo. Não podemos como católicos simplesmente fazer coisas que dão todo o entender que estamos fazendo algo errado pra quem vê de fora e não sabe, mesmo que estamos agindo corretamente e nem sempre é porque o povo só pensa maldade, mas sim, pela falta de cuidado com coisas simples da nossa parte.

    Aqui já me atento a alguns esclarecimentos:

    - Não estou dizendo que o católico deva fazer as coisas para aparecer, isto é, ao fazer uma caridade, trabalhar na Igreja, ajudar com isso ou aquilo, estar querendo se exibir, mostrar o que está fazendo em busca de reconhecimento e aplausos. Não é isso! Que sua mão esquerda não saiba o que fez a direita, assim diz Nosso Senhor (Mt 6,3).

    - Não estou dizendo que você precisa dar satisfação de 100% da sua vida para os outros para que hora nenhuma seja mal interpretado, pois realmente há coisas que não têm a necessidade de serem expostas, portanto, se você já é uma pessoa cuidadosa nas palavras e nos atos para não transmitir um contratestemunho, também não se sinta culpado caso numa coisinha que você fez sem ser errada, mas porque não foi amplamente noticiada, as más línguas já começaram a falar mal de você. Nesse caso, o pecado é só delas.

    - O que quero dizer é: Muitas coisas não têm a necessidade de darem margem para más interpretações. Muitas coisas podem ser esclarecidas e quando não são, geram espaço para a má interpretação, não só pelos tradicionais fofoqueiros de plantão, mas por pessoas que não são da fofoca, mas a situação foi tão mal explicada, que parece que você jogou por terra toda sua reputação até então alcançada.


Exemplos que parecem bobos mas que fazem toda a diferença:


   Não que eu me preocupe com a minha própria imagem, mas com a mensagem que eu carrego. Sou catequista e escritor católico, e não posso deixar que a verdade de Cristo que anuncio em minhas catequeses, seja perdida por coisas mal interpretadas pelos outros no que se refere à minha vida.

    No ano de 2025, não participei do Tríduo Pascal na Igreja Matriz de Recreio, onde a grande maioria das pessoas, inclusive meus catequizandos e seus familiares participam; mas sim, participei na Zona Rural ajudando um padre, o Frei Jesus do Amaral, que veio ajudar o então pároco de Recreio na ocasião, Padre Alexandre do Carmo Souza, durante a Semana Santa. Fiz questão de na catequese, esclarecer que participei na Zona Rural e publiquei fotos atuando nas comunidades rurais, tanto nas celebrações da Santa Missa, como também na Ação Litúrgica da Sexta-feira da Paixão. Fiz isso para aparecer e dizer que estava ajudando? Não! Mas para dar um bom testemunho para meus catequizandos, para que não pensem que eles e a família foram no Tríduo Pascal e o próprio catequista não foi. Se eu não justificasse, poderia ser que uma pessoa por mais bem intencionada que seja, pensasse que às vezes quem mais fala, não faz, e isso resultasse num desânimo para ela, portanto, não só fiz o correto, mas transmite para aqueles que nesse processo de formação catequética, queira ou não, depositam em minhas mãos, parte da confiança que têm na Igreja de Cristo. Claro que a confiança que devemos ter é em Jesus Cristo e na sua Santa Igreja; mas nem todos já chegaram a esse amadurecimento na fé e acabam esperando um bom testemunho do catequista, do padre e de outras pessoas da Igreja, por isso nossa grande responsabilidade em não só agirmos de forma correta, mas também termos o cuidado em transmitir  a fé, seja com palavras e exemplos.

    Também, numa outra ocasião, quando fui ministrar curso de batismo na Paróquia Nossa Senhora da Conceição em Laranjal, fiz questão de esclarecer, para mais uma vez não jogar por terra, tudo que tinha acabo de discorrer: Lá é costume que as pessoas participem da missa da manhã antes da formação e também no outro domingo, participem novamente da missa antes do batizado. Geralmente quando vou lá ministrar o curso de batismo, participo também da missa da manhã na referida paróquia; porém, quando não é possível e preciso participar em Recreio, para em seguida ir para lá para dar a formação, sempre justifico dizendo: Talvez alguém possa estar se perguntando - O Raí fala no compromisso com a Santa Missa e já ir educando as crianças desde cedo na participação frequente, mas ele não estava na missa - É porque eu tive que servir como acólito em Recreio antes de vir para Laranjal. Pode parecer uma explicação boba, pode até ser que haja quem pense que eu queira mostrar serviço, mas não é, e quem tem que pensar errado, pensará de qualquer jeito, mas justifico para aquelas pessoas que estão começando talvez a caminhada na fé e estão buscando o exemplo nas pessoas que já estão firmes na Igreja, para que não fiquem na incógnita de saberem se vivo aquilo que prego ou não.

    Embora eu confie na minha honestidade e na minha responsabilidade, evito ficar sozinho em lugares onde há dinheiro ou qualquer bem de valor, pois se por algum motivo, justamente naquele dia alguma coisa se perde ou outra pessoa a subtrai, o dono ou responsável, mesmo confiando em mim, talvez ficará eternamente pensando: Será que não foi ele?

    Eu já pensava isso e quando vi a pregação de Dom Henrique Soares que fala isso para os sacerdotes, a inspiração em reforçar o que pensava aumentou, tanto que resolvi ir além - Ele disse para os seminaristas se referindo à figura do sacerdote, porém, amplio dizendo para todos nós: ''Não basta ser direito, tem que parecer direito!" Veja no link a seguir do instante 46:00 ao instante 49:00, trecho onde Dom Henrique aplica a referida frase:

https://www.youtube.com/watch?v=cYO0fJVVHJU


Outro pensamento dentro do mesmo contexto:


    Como nos escreve Dom Edson José Oriolo dos Santos, bispo da Diocese de Leopoldina - MG, em seu livro: O sacerdote na sociedade do espetáculo; tema também por ele publicado no Vatican News, o portal de notícias do Vaticano, disponível no link ao final deste parágrafo, Dom Edson fala a respeito da repercussão imediata no advento das redes sociais, de tudo aquilo que o sacerdote faz ou fala e novamente, amplio os horizontes estendendo essa visão para todos nós cristãos católicos, sejamos leigos, religiosos ou ministros ordenados. Vivemos na sociedade do espetáculo e tudo o que dizemos ou fazemos, pode virar um corte para as redes sociais, por isso um cuidado redobrado para deixarmos claro o que estamos falando, encaixar bem o que explicamos no contexto apropriado, dar explicações que parecessem desnecessárias mas não são, para que mesmo que alguém tente pegar só um trecho de nossa fala, se tenhamos o contexto todo testemunhado por aqueles que viram na íntegra, podemos dormir com a consciência tranquila; mas isso não quer dizer falar o que queremos e pronto, também devemos ter responsabilidade:

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2024-03/sacerdocio-sociedade-espetaculo.html.


Mais algumas dicas úteis:


    Evite frases de efeito só para impressionar, como por exemplo: ''Sabia que Maria era judia?''. Depois pode ser que você esclareça que ela nasceu em ambiente judaico, isto é, na antiga aliança, que por sua vez esperava a vinda do Messias, mas que com a encarnação do verbo, tornou-se a primeira e mais fiel discípula do Senhor, sendo então a primeira cristã, mas aquela frase de efeito lá atrás já virou um corte para a rede social onde alguém já manipulou para dizer: Veja o que esse padre, esse catequista disse; eles mesmos reconhecendo que Maria nunca foi cristã. Ao invés de falar de Nossa Senhora começando com essa frase de efeito, que tal já começar dizendo: ''Você sabia que Maria foi, mas não terminou sua vida sendo judia?''. Aí já fica mais difícil para alguém manipular, pois qualquer corte aí ou uso da Inteligência Artificial, já seria mais facilmente notado por pessoas que sabem reconhecer vídeos adulterados, mas sua parte foi feita, seu cuidado foi tomado.

    Quando pedimos perdão no Ato Penitencial falado, dizemos: ''(...) por pensamentos e palavras, atos e omissões, (e batendo no peito prosseguimos) por minha culpa, minha culpa, minha tão grande culpa(...)''. Da mesma forma que quando já aprendi que uma roupa indecente provoca olhares maldosos e continuo a usar, peco por negligência, da mesma forma que quando faço algo deliberadamente com vontade de provocar, faço por imprudência. Igualmente peco quando por palavras e atos, ou mesmo por omissões, ou seja, coisas que poderia ter feito ou falado e não fiz, explicações que poderia ter dado e não dei, por situações que não tinham a necessidade de terem sido feitas em público e assim agi - Pequei, preciso com Deus me reconciliar e dali pra frente mudar. Não respondemos por imperícia, isto é, quando até cometemos um ato errado ou impróprio, ou seja, que pode levar a um erro embora não necessariamente leve, mas não sabíamos, foi de fato na inocência; porém, quando já tomamos consciência, a situação é diferente, então a responsabilidade é da gente.


Também não precisa se apavorar!


    Não propus essa leitura para criar uma neurose em ninguém, não precisa ficar se martirizado porque talvez num momento você se distraiu e depois percebeu algo, não estou aqui falando para andar como um robô de agora em diante, mas para ter uma atenção normal constante. Não precisa viver uma neura com isso, mas o conselho que deixo nessa postagem é responsabilidade. Não precisa se apavorar, mas não custa nada se cuidar. Um pouco mais de cautela com perseverança, faz uma diferença muito grande e já causa uma enorme mudança.


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