Ano Santo de 2025 - Não só esperança, mas verdadeiramente, em Deus confiança. - Minha experiência no ano jubilar
No ano de 2025, a Igreja Católica viveu a experiência do Ano Jubilar de maneira ordinária, isto é, aquele vivido a cada 25 anos pela Igreja Peregrina. Há anos jubilares extraordinários como o ano Santo da Misericórdia ocorrido em 2016 e também o previsto para o ano de 2033, que comemorará os 2000 anos da redenção, uma vez que os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, ocorreram quando o Messias tinha 33 anos de idade cronológica considerando os anos da encarnação do verbo divino.
Num ano jubilar, ordinário ou extraordinário, por todo o mundo, os católicos são chamados a peregrinar, passando pelas portas santas de igrejas jubilares, que por muitos anos foram apenas as de Roma, mas agora a realidade foi estendida para todas as dioceses do mundo. Bispos do mundo inteiro definem igrejas em suas respectivas dioceses para serem igrejas jubilares, as quais receberão fiéis que desejam fazer a experiência da peregrinação em busca das indulgências plenárias, entenda:
A Igreja Católica não se restringe apenas ao que vemos, pelo contrário, ela existe muito mais no que não vemos do que o que somos capazes de enxergar. Católica, é um adjetivo dado por Santo Inácio de Antioquia à Igreja de Cristo no ano 107, que quer dizer universal, pelo fato da Igreja ser a mesma no mundo inteiro e para todos os povos, portanto, não é denominação, mas adjetivo dado à Igreja que sempre existiu no Céu e temporalmente no tempo e no espaço, foi por Deus fundada na Terra. Sendo assim, temos as 3 esferas da Igreja, sendo elas a Igreja Celeste ou Triunfante, Igreja Padecente e Igreja Peregrina ou Militante.
A maior esfera de todas, é a Igreja Celeste, também chamada de Igreja Triunfante, pois é o Reino do Céu, ela abrange a realidade de todos aqueles que nos precederam na fé e gozam hoje das alegrias eternas, e principalmente, a Igreja Triunfante é Deus em plenitude.
Temos também a esfera padecente da Igreja, que é o Purgatório, onde Deus nos purifica, onde os fiéis defuntos, isto é, aqueles que já cumpriram sua missão aqui neste mundo, são purificados das consequências dos pecados arrependidos e perdoados por Deus (Mt 5,26 e Lc 12,59). Neste estágio, as pessoas purgam daquilo que foi a consequência de seus atos, e justamente é referente a esse purgar que estão associadas as indulgências.
O que muitas vezes delimitamos como Igreja Católica, na verdade é apenas a menor das esferas, que é a Igreja Militante, ou também chamada de Igreja Peregrina; pois constantemente estamos em peregrinação rumo à Pátria Celeste. A Igreja enquanto caminha neste mundo, é governada pelo papa, que dá sucessão ao apóstolo São Pedro, chamado por Nosso Senhor Jesus Cristo a conduzir a sua Igreja nas estradas do mundo rumo aos Céus. Nosso peregrinar num ano santo é uma experiência de reforçar o que já vivemos na prática todos os dias na Igreja Peregrina: Somos povo peregrino, nossa casa definitiva é o Céu.
Nosso Senhor concedeu ao primeiro administrador da Igreja, função que hoje chamamos de papa, já que ele é nosso patriarca, a autoridade para ligar e desligar na Terra e o que por ele fosse ligado ou desligado aqui, seria ligado ou desligado do Céu (Mt 16,18-19). Cristo deixou para nós os sacramentos como canais da graça, entre eles o batismo (Mt 28,19), que nos insere na Igreja, isto é, na comunidade dos filhos e filhas de Deus, assim como o sacramento da reconciliação, também chamado de sacramento da penitência ou confissão (Jo 20,23), onde por meio da absolvição por parte de um ministro ordenado, seja padre ou bispo, que venha da sucessão apostólica, isto é, venha da sucessão de um dos apóstolos de Jesus, o fiel pode obter o perdão de seus pecados, sendo eles desligados de sua vida; mas para isso, é necessário arrependimento sincero, confissão completa, sem omitir pecados e o esforço para tentar não mais pecar - sabemos que é praticamente impossível para nós que estamos sujeitos à vontade de carne, porém, há que se haver um esforço contínuo - porém, além do pecado, há a consequência deste, que não é apagada na confissão, mas precisa ser indulgenciada. As indulgências são concedidas pela Igreja de maneira gratuita, assim como a confissão, que somadas à penitência dada pelo sacerdote ao fiel, permitem que a pessoa possa já aqui, refletir sob a ótica da fé a necessidade do afastamento cada vez maior do pecado e a busca por uma vida de santidade. São as indulgências que aliviam ou livram o fiel das penas no Purgatório.
Quando um fiel se confessa, o padre lhe dá uma penitência após a absolvição, que não é um castigo, mas corrigir o caminho por amor, levando o fiel a rezar ou a realizar um gesto concreto de caridade para com o irmão, lembrando que a caridade não se restringe ao material, mas também ao ensinar a quem não sabe, isto é, evangelizar. As indulgências, porém, são um processo que dão continuidade ao arrependimento iniciado antes da confissão: Ao longo de todo o ano, a Igreja apresenta diversas formas para o fiel obter indulgências parciais ou plenárias, sendo as primeiras aquelas que aliviam as penas do Purgatório e as últimas livram completamente o fiel das referidas penas - tratam-se de orações e penitências adicionais que o fiel pode realizar após a confissão, sejam em dias específicos ou em qualquer época do ano a depender da forma de receber as indulgências buscadas.
Entre as diversas formas de receber as indulgências plenárias, existe aquela vivida pelos fiéis em anos jubilares, anos estes que recordam os anos santos de perdão de dívidas, vividos a cada 50 anos pelo povo judeu (Lv 25,10), isto é, o povo da promessa, da Antiga Aliança, que se completou plenamente em Cristo e hoje vivemos na Nova e Eterna Aliança em seu corpo e seu sangue: O Cristianismo é a conclusão plena do Judaísmo, a promessa já se cumpriu, o Messias veio - O verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,1.14).
Para receber as indulgências plenárias nos anos santos, as exigências são as mesmas das demais formas utilizadas para receber as indulgências ao longo de todos os anos: É necessária a confissão completa, o afastamento do pecado que seja venial, comunhão sacramental e o cumprimento da penitência adicional àquela proposta pelo padre, que concederá as indulgências. Nos anos santos, essa penitência adicional, é a visita a uma das igreja jubilares e lá visitando, o fiel deve realizar orações próprias pelas intenções do santo padre, o papa, pelo mundo inteiro, seja diante do Santíssimo Sacramento, rezando um terço, uma via-sacra ou participando da Santa Missa naquele local.
Quando peregrinamos a uma igreja jubilar, estamos recordando o real sentido de nossa peregrinação como povo que caminha rumo ao Céu, o mesmo sentido que muitos não entendem quando realizamos a procissão com a imagem ou ícone de algum santo - Estamos ali recordando a caminhada de fé que aquela pessoa que nos precedeu na fé fez e trazemos o exemplo dela de seguimento a Cristo até o fim, para nossa vida.
Somos povo que precisamos de sinais concretos, por isso os símbolos como as imagens, por isso a matéria, como a água no batismo, como também os santos óleos. O peregrinar, reforça em nós essa missão que vivemos a cada dia e aquilo que é invisível aos olhos, sabemos que acontece ao vermos os sinais.
Minha experiência pessoal no ano jubilar ordinário de 2025
Em minha diocese de origem, a Diocese de Leopoldina, localizada no sudeste das Minas Gerais, região também chamada de Zona da Mata Mineira; nosso bispo, Dom Edson José Oriolo dos Santos, propôs a missão de completar o passaporte jubilar, onde os fiéis que visitassem as 10 igrejas jubilares definidas para a referida diocese, poderiam receber um carimbo de cada uma, e ao final do ano, quem conseguisse terminar as peregrinações com o passaporte completo, receberia um certificado de conclusão das peregrinações, para memória perpétua do fato.
Atuo como catequista e acólito na Paróquia Jesus Menino Deus em Recreio, e como acólito e ministrante de curso de batismo na Paróquia Nossa Senhora da Conceição em Laranjal, embora seja natural de Palma cuja Paróquia é dedicada a São Francisco de Assis, tendo vivido a primeira infância no distrito palmense de Cisneiros, onde na Capela da Imaculada Conceição, fui batizado. Palma, Recreio, Laranjal, Leopoldina e Argirita, são municípios que integram a forania de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e é nela, precisamente no município de Leopoldina, que fica a sede da diocese.
Fazer essa experiência de percorrer todas as foranias diocesanas, passando por todas as Igreja Jubilares, foi para mim, uma experiência incrível e que muito contribuiu com meu crescimento e amadurecimento na fé; e para minha surpresa, não só consegui completar o passaporte, mas me tornei o primeiro a realizar a referida missão, o que foi registrado no jornal diocesano do ano santo de 2025.
Para mim, este ano jubilar foi um novo recomeço - novos projetos, conquistas alcançadas, e sempre Deus como em todos os anos, em primeiro lugar. Entre as conquistas alcançadas, está a publicação do meu livro, um grande material de catequese que tanto sonhava em lançar: O livro Catequize-se para catequizar.
Veja mais sobre como adquirir o referido material no link a seguir: https://fazermemoriaetornarpresente.blogspot.com/2025/11/catequize-se-para-catequizar.html
A experiência de visita às igrejas jubilares, me ajudou a recordar como a vida se dá por etapas, e como isso é uma verdade. Quando menos se espera, aquilo que antes era esperança, se torna se torna realidade.
Mesmo sem planejar qual seria a primeira e qual seria a última, fui por foranias e realizei este peregrinar que nos prepara para as realidades últimas.
Foi um ano em que muitas esperanças se realizaram, outras, ainda creio verdadeiramente realizar, porém, a confiança na providência de Deus, me dá a certeza sempre de que um dia tudo se concretizará.
O ato da confissão mensal, que adotei faz uns 3 anos, me permitiu não acumular pecado, que seja venial; e agora a busca pelas indulgências plenárias, me permitiu pensar, que sempre é tempo de recomeçar. Não importa o que passou, mas o que virá, e aquilo que temos esperança de que já aproxima, se fizermos dentro do que Deus nos ensina, Ele certamente abençoará.
No encerramento do ano santo na diocese, recebi junto dos demais peregrinos que completaram o passaporte, o certificado de conclusão, mas para completar esse momento, não poderia deixar de chamar minha querida amiga catequista, Roberleia Ferreira da Silva, que embora não tenha completado seu passaporte, mas não faltou determinação. Foram muitas tentativas, que embora não concluídas, mas a certeza do tentar, fez do seu peregrinar tão significativo para sua vida.




























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