Transformar Jesus num assistente social e agitador político é um esvaziamento da fé

(Imagem gerada pelo ChapGPT)

Texto de Raí José Maciel da Silva,
professor, escritor e editor formado em Geografia-Licenciatura, Letras-Inglês
e pós-graduado em Teologia.

     Jesus veio para nos salvar e não para resolver nossos problemas materiais:

      ''26Jesus respondeu: 'Em verdade, em verdade vos digo: estais me procurando, não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes saciados. 27Trabalhai não pelo alimento que perece, mas pelo alimento que permanece para a vida eterna e que o Filho do Homem vos dará, pois a este, Deus Pai o marcou com seu selo'.''

    Ainda hoje, os autênticos milagres, estudados e comprovados pela ciência, tal qual como aqueles que foram realizados nos tempos de Cristo, não vêm para resolver nossos problemas, mas para confirmarem a fé. Claro que quando o milagre se trata de uma cura - Sim, ele resolve o problema daquela pessoa, mas mais do que isso, ele confirma a fé autêntica na Igreja que Cristo revelou.

    Divinas providências, isto é, quando acontece aquela cura, aquela graça, que a chance seria 1 em 1 milhão, podem ocorrer em qualquer lugar onde alguém reza a Deus e Deus atende seus filhos, mesmo aqueles dispersos, fora da Igreja; mas autênticos milagres, que se sobrepõem às leis da ciência, somente em ambiente católico.

    Jesus nunca veio para resolver as coisas físicas, embora por meio delas, tenha agido para ensinar doutrina. Jesus não veio para dar alimento físico, água física, roupa física, embora nos ensinasse a sermos caridosos. Jesus sabe que não precisa ser cristão para ter amor e compaixão para com o irmão. Nosso Senhor veio nos trazer a salvação das almas, algo que muitos estão perdendo e transformando a Igreja, a Boa Nova, numa mera atuação de ONG.

    Jesus multiplicou o pão no deserto, mas quando começaram a segui-lo só por causa do pão físico, Ele questionou isso; pois o verdadeiro pão era a Palavra e a Eucaristia, assim como a verdadeira água era a fé.

    Jesus disse à samaritana que se ela bebesse da água física do poço, voltaria a ter sede, mas que Ele era a fonte da vida eterna e que se dessa verdadeira água ela tomasse, não sentiria mais sede (Jo 4,13-14). Isso quer dizer que Jesus não se preocupa com quem não tem água de qualidade? Não! Ele quer que sim, tenhamos compaixão para com quem sofre com a falta de água, ou com a falta de qualidade da mesma; mas há pessoas que moram em palácios, com a água mais potável do planeta, mas a sede da alma nunca se sacia, pois buscam a tão sonhada felicidade nisso e naquilo, aqui e acolá, mas só a encontrariam verdadeiramente no altar.

    Não adianta nada dar às pessoas a melhor água do mundo material, se não saciá-las com a água espiritual, a autêntica fé; por isso muitos recebem água potável de ongueiros católicos, mas buscam a fé em igrejas, onde embora não sejam a fundadas por Nosso Senhor, falam mais dEle que muitos sacerdotes e fiéis que confundem o ser católico, como ser um mero fornecedor.

    De nada adianta encher a barriga se não encher o coração, busquemos primeiramente o Reino de Deus e sua justiça e tudo mais virá por acréscimo (Mt 6,33). É muito fácil justificar quem esvazia a fé, transformando-a numa assistência social, quando simplesmente cita-se pessoas que vivem uma fé fria focada apenas no eu de cada um, sem se preocuparem com o irmão que realmente precisa. Um erro não se justifica com o outro. Antes de citar quem vive uma fé fria, meramente pessoal, comece dando o exemplo, mostrando que é possível sim unir o útil ao agradável, pois apontar um erro cometendo outro igual, jamais será justificativa para dizer que o seu erro é normal.

    Jesus o tempo todo fala do Reino, e deixa claro que não é um reino deste mundo (Jo 18,36). Jesus é médico das almas, para os doentes do coração (Mc 2,17). Quando Judas Iscariotes quis repreender Santa Maria de Betânia por lavar os pés do Senhor com perfume caro de nardo puro, alegando que ela poderia ter vendido o perfume e doado o dinheiro aos pobres; Jesus o colocar em seu lugar, dizendo que pobres sempre teremos entre nós, mas que era necessário que ela fizesse aquilo. Quanta gente que quer o resto para a Deus, para a liturgia, e fala tanto nos pobres, mas não os nutre com o alimento que tanto anseiam, que é a Palavra e a Eucaristia. No evangelho ainda, vemos claramente que Judas não se preocupava com os pobres, mas sim, ficava com a bolsa comum e aproveitava para dela subtrair (Jo 12,1-8; por isso o cuidado com discursos que falam tanto a palavra ''pobre'', muitas vezes a história é a mesma e só mudam os personagens.

    Jesus deixa claro que seu corpo é a verdadeira comida e que seu sangue é a verdadeira bebida (6-53-56). Ele é o pão vivo que desceu do Céu - O maná sustentou o corpo, mas mesmo assim o corpo em dado momento pereceu (Jo 6,49-50), mas é necessário o pão da vida, que sustenta a alma, que trás a vida eterna.

    Jesus não concorda com a exploração do povo, com a situação triste que muitos passam, mas sua prioridade é a salvação.

    Muitos também tentam fazer de Jesus um ativista, citando suas falas no que tange às prostitutas e publicanos, mas se esquecem que muitas pessoas naquela época, como as prostitutas, só tinham esse caminho. As mulheres viúvas, sem filhos e sem pais, não podiam trabalhar; muito diferente da realidade de hoje.

    Os pobres no tempo de Jesus, de fato não tinham auxílio do governo e queriam comer, diferente de muitos hoje que são apresentados por alguns católicos que não sabem ver a diferença e acham que ser caridoso é dar dinheiro a todo aquele que pede na rua, sendo que em muitos casos, sabe-se claramente, que não é para comer, mas para sustentar vícios que mais os levam para a doença do corpo e da alma. Não podemos simplesmente pegar literalmente o que Cristo falava e aplicar na realidade de hoje sem analisar. Sim, existem pobres que realmente querem alimento, por isso temos pastorais como a dos vicentinos, que buscam saber quem realmente precisa, e não só do alimento corporal, mas sobretudo, do espiritual.

    O tempo todo, Jesus deixa claro que a verdadeira prisão, é a do pecado e da morte e que a libertação, não se dá levantando bandeiras, aplaudindo o pecado e normalizando o que o mundo diz ser normal. Jesus sentava-se com pecadores não para defender agendas que só acolhem mas não educam. A Igreja não veio para abençoar o pecado, mas convidar para a conversão. Não adianta nada falar que ama se não educa, se não corrige, se não evangeliza; quem diz que ama assim, na verdade odeia, mesmo achando que está amando.

    Jesus nunca disse: ''Viva os publicanos; palmas para eles, criemos uma pastoral que visa a inclusão!'' Não! Jesus pelo contrário, quando alguém era um pecador público como Zaqueu, depois que se arrependeu e prometeu corrigir o caminho, aí que Jesus diz: ''Hoje a salvação entrou nesta casa.'' (Lc 19,8-9) - Sinal que até ontem não tinha entrado. E hoje, muita gente querendo normalizar o que é ilegítimo com a ideia do falso amor; um amor meramente aparente como daqueles pais permissivos, que o filho faz o que quer, não respeita seus genitores, catequistas e nem professores, mas ganha passeio no shopping, de trenzinho e sorvete de todos os sabores.

    Nessa altura, muita gente pode estar se questionando sobre o evangelho onde Jesus fala que no fim dos tempos dirá: Eu estava com fome e não me destes de comer, com sede e não me destes de beber, estava nu e não me vestistes, era estrangeiro e não me recebestes em sua casa, estava doente e na prisão e não cuidaste de mim (Mt 25,31-46). Talvez, no no juízo, muitos descobrirão que o alimento que Jesus falava não era o maná, mas a eucaristia; a água não era a do poço, mas a esperança que Ele ofereceu para a samaritana, a roupa era o revestimento de Cristo pelo batismo; o estrangeiro trata-se daquele que nunca conseguiu cidadania na Igreja Católica, porque alguns membros o deixaram com seu passaporte de cidadão de outra nação, dizendo que não importa a religião; o doente era quem precisava da cura dos males da alma, por isso talvez estivesse preso no pecado, e ao invés de o libertar, o deixou acreditar que aquilo era algo a se normalizar. A surpresa pode ser grande quando muitos questionarem: ''Quando foi que não te servimos?'' E Jesus disser: Vocês só me deram comida, água, agasalho, remédio e me deixaram aprisionado no mundo, impedindo que minha luz brilhasse. A comida é importante, a água também, o agasalho é essencial, tal qual o remédio; mas não são o suficiente, isso qualquer Estado laico pode conceder, como qualquer ONG pode fornecer, mas o que essas instituições não oferecem e que só vocês tinham para oferecer, nem vocês mesmo bem utilizaram, focaram só naqueles que usufruiam para si e se esqueceram de convidá-los para a ação, ficaram apenas tentando fugir do compromisso, ridicularizando o que eles faziam e além de não viver aquilo, não levaram aos irmãos.

    Até a Sagrada Família passou dificuldades e Herodes vivia num palácio, e onde é que estava a verdadeira riqueza e a verdadeira pobreza? Quem mais precisava de atenção, aqueles que migraram para outra nação ou aquele que não tinha Jesus no coração? (Mt 2,13-23). A caridade é importante, e jamais deve ser descartada; mas talvez há pessoas que supostamente têm tudo, mas na verdade não tê nada. E quem aparentemente precisa de sustento, na verdade pode ser que seja catequista para alguns membros do clero e ongueiros, dizendo-lhes qual é o verdadeiro alimento.

    E para arrematar, Jesus nunca propôs rebeliões e nem revoluções contra o Estado para resolver questões sociais, não achou que a solução estava em políticas públicas, Ele mesmo pagou o imposto (Mt 17,24-27) e ele mesmo nos ensinou a dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus (Mt 22,15-22). Embora jamais concordasse com a opressão do povo que sofre. Mas somente com a fé, focando nos valores, não no moralismo falso dos fariseus, mas nos valores morais inegociáveis, que vamos conseguir resolver tudo isso: Sem assassinar tantos santos inocentes (Ex 1,8-22) chorando a carninha e as cebolas do Egito (Nm 11,4-6), permitindo o levantamento de bandeiras ideológicas contrárias à nossa fé a troco de alimento e bens materiais, nada tem a ver com o evangelho, mas um falso evangelho.



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