Quem foi o patriarca Henoc? Mitos e verdades! Henoc nas Sagradas Escrituras e nos textos apócrifos: Conheça-o de verdade!
(Imagem gerada pela IA Gemini)
Texto de Raí José Maciel da Silva,
professor, escritor e editor formado em Geografia-Licenciatura, Letras-Inglês
e pós-graduado em Teologia.
Um nome que passa meio que despercebido pelas escrituras, só que não, o patriarca descendente de Adão:
Quando se fala em Henoc, muita gente apenas pensa que foi ligeiramente citado no livro do Gênesis e que o que se ouve dele é lenda vinda de textos não canônicos, mas, temos muito mais informações sobre ele nas Sagradas Escrituras do que parece.
Muitos talvez por curiosidade, como eu, já leram os livros apócrifos como o Livro de Henoc (ou I Henoc) e o Livro dos Segredos de Henoc (ou II Henoc) e de fato, vemos muita fantasia que realmente não bate com a doutrina da nossa fé. Quando se fala dos vários Céus, como etapas para se chegar a Deus, nada tem a ver com a ideia de segundo e terceiro Céu que circulava entre o povo dos tempos de Cristo e é mencionada nas escrituras (2Cor 12,2-4). Naquela época, as pessoas chamavam de 1º Céu, a parte a qual temos acesso, dentro de nossa atmosfera, onde as aves voam e hoje também os balões e aviões; o 2º Céu era o espaço sideral, onde ficam as estrelas e planetas; já o 3º Céu, tratava-se da realidade celeste; algo fácil de comparar hoje com o inglês moderno, que tem a palavra ''Sky'' para ''Céu'' fisicamente falando, o que vemos sobre nossas cabeças tanto no que tange à nossa atmosfera como o espaço sideral, porém, quando o assunto é o ''Céu'', no que se refere ao Reino de Deus, a palavra é ''Heaven'', que inclusive no Pai Nosso em inglês, por duas vezes é utilizada, diferentemente do português, onde primeiramente se usa a palavra ''Céus'' (no plural) e em seguida ''Céu'' (no singular). Nos livros sobre Henoc, a ideia apresentada é outra, como se existissem vários Céus na realidade celeste, o que não tem a ver com a nossa fé, além de tantas outras narrativas nos livros que os fazem serem considerados apócrifos. Também, em outros livros apócrifos: I e II Livro de Adão e Eva, temos inúmeras narrativas, mas que não entraram para o cânone bíblico, porém, algo disso tudo pode ser extraído como sombras de verdade, embora a íntegra seja lenda. Vejamos sob a luz das Sagradas Escrituras quem é Henoc e aos poucos, comparemos com algumas narrativas para vermos o que se pode aproveitar sem cair na especulação.
No Gênesis
A passagem bíblica que creio ser a mais lembrada quando se fala em Henoc, aparece já logo no primeiro livro das Sagradas Escrituras, ''apenas citando-o'', só que não:
"18Jared tinha cento e sessenta e dois anos quando gerou Henoc. 19Depois de gerar Henoc, Jared viveu mais oitocentos anos e gerou filhos e filhas. 20Ao todo, Jared viveu novecentos e sessenta e dois anos, e depois morreu.
21Henoc tinha sessenta e cinco anos quando gerou Matusalém. 22Depois de gerar Matusalém, Henoc andou com Deus trezentos anos e gerou filhos e filhas. 23Ao todo, Henoc viveu trezentos e sessenta e cinco anos. 24Henoc andou com Deus e então não foi mais encontrado, pois Deus o havia tomado." (Gn 5,18-24)
Pode parecer uma simples passagem, uma discreta citação, mas quando olhamos para todo o contexto, vemos que não é tão simples e discreta assim. No capítulo 5 inteiro, vemos toda a geração de Adão a partir de seu filho Set, até os filhos de Noé, porém, com todos os nomes, após apresentar Adão como o primeiro ser humano, há uma sequência direta onde simplesmente cita-se o patriarca, o filho mais velho, o tempo que viveu, se caso gerou mais filhos é também mencionado e pronto, começa-se a falar do descendente e assim por diante; porém, quando chega-se em Henoc, já não só se fala quanto tempo viveu, o filho mais velho que teve e que gerou mais filhos; com Henoc, há uma enfatização no fato de que ele andou com Deus e no final, em algumas traduções, narra-se que ele foi arrebatado (levado para o Céu).
Para que uma pessoa numa lista enorme seja destacada, um algo a mais há para que assim ele fosse lembrando. A lista fala que Adão gerou Set, Set gerou Enós, Enós gerou Cainã, Cainã - Malaleel, Malaleel - Jared, Jared - Henoc, quando chega na vez de Henoc, há esse destaque maior, essa enfatização da forma como viveu diante do Senhor e como o Senhor o reconheceu, para em seguida continuar a lista que segue como antes: Henoc gerou Matusalém, Matusalém - Lamec, Lamec - Noé e Noé - Sem, Cam e Jefé.
Uma voltinha pelos apócrifos
No Primeiro Livro de Adão e Eva, conta-se que após a tentação, Adão e Eva teriam se arrependido da desobediência a Deus, o que podemos crer que sim, seja verdade, e que quando Adão morreu, foi sepultado numa caverna onde Set, seu filho cuidava de sua sepultura, com um fogo aceso sem nunca apagar. Antes de morrer, Adão teria abençoado Set, que se tornou seu sucessor patriarca. Até aí, nada de heresia, nada que venha a ferir nossa fé, porém, agora já entra um pouco de especulação: Diz-se que o mal, a serpente, voltou a tentar Adão e Eva antes da morte e que sempre que Adão caia em tentação, batia forte no peito com força como se fosse morrer, o que já parece ser um exagero, poderíamos dizer que talvez a pessoa até caia em tentação e se arrependa muito, verdadeiramente, mas já cria aqui um clima de exagero. Posteriormente conta-se que todos os patriarcas forma seguindo a mesma história, onde antes de morrer, Set abençoou Enós, e foi sepultado junto de Adão, depois Enós abençoou Cainã no final de sua vida e foi sepultado junto de seu pai Set e seu avô Adão e foi seguindo isso de patriarca abençoando seu filho e sucessor como novo patriarca até chegar em Jared, o pai de Henoc, que teria caído na lábia do tentador e deixado as sepulturas sem vigia em busca de boas promessas fora da caverna e quando regressou, viu que foi enganado, os corpos estavam revirados nas sepulturas e o fogo apagado, foi quando se arrependeu e Deus enviou um fogo novo num altar que Jared construiu e rezou pedindo perdão. Alguns pontos são tentadores (talvez no bom sentido) para tentar nos induzir a acreditar, como o bater no peito (minha culpa, minha culpa, minha tão grande culpa), mas na narrativa há um exagero muito grande como se ele estivesse se agredindo, o que não casa com a nossa fé; outro ponto tentador a nos iludir, o enviar o fogo novo, que nos lembra o Sábado Santo e tal, mas devemos por o pé no chão e saber que não há comprovação de que tudo isso foi verdade, mas algo que vemos no nosso dia a dia e podemos comparar: Olhe bem para uma família, geralmente quando algum descendente começa a perder aquela linha que a família tinha de seguir ali tudo certo dentro do que Deus ensina, sobretudo no que tange à fé, sempre vem uma nova geração que dá a volta por cima e às vezes catequiza os pais com o exemplo, trazendo-os de volta para a Igreja. Não sabemos se essa história toda de Jared, pai de Henoc é real, mas o que sabemos é que, mesmo quando os pais começam a se distanciar da fé, geralmente vem um filho para ser a luz que reguia aquela família de volta para onde não devia ter saído.
De volta ao Gênesis
Entre histórias e especulações, o que temos de geral no livro das origens, o Gênesis, é que desde que o mundo é mundo, sempre haverão aqueles que independente dos erros do passado, podem fazer diferente e Deus reconhece, deixando-nos o exemplo de que não tem nada disso, de herança de erro familiar que perpassa gerações, somos donos de nossas histórias e podemos fazer diferente, e que o diferente seja sempre para o melhor e não o nosso melhor, mas o melhor perante a Deus.
Outro detalhe nessa passagem, é que além do destaque que é dado a Henoc entre todos os outros patriarcas citados, é que o destaque não é para nada do mundo, mas para Deus, como aquele que fez a vontade do Senhor neste mundo e essa fidelidade foi até o momento de sua morte, que não é o fim, mas o começo para a eternidade, sendo então levado por Deus.
Outro detalhe curioso sobre Henoc, é que ele foi pai daquele que mais viveu segundo a Bíblia. Os patriarcas eram citados como pessoas que viviam muitos anos, longos e longos anos e entre todos, o que mais viveu foi Matusalém, justo o filho daquele que mais andou conforme os ensinamentos do Senhor.
Especulação VS Realidade
Sabemos que Henoc foi para junto de Deus, mas isso não quer dizer que passou por todas aquelas etapas de 1º Céu, 2º Céu, 7º Céu e tantas mais narrativas presentes no Livro dos Segredos de Henoc, que não foi se quer escrito por ele, mas escreveram sobre ele. Quando alguém é virtuoso, as virtudes falam por si e não há a necessidade de tantas palavras, embora elas possam ajudar se verídicas. Muitos podem ter especulado sobre ele ao não o verem, mas o que a Bíblia e outros livros históricos nos ensinam é que muitas pessoas se retiravam, como Jesus, para rezar, refletir, ter momentos de deserto. Hoje também, quando vamos caminhar, dar uma volta ao parque, quando queremos ficar um pouquinho sozinhos para depois voltar ao convívio social, também temos nossos pequenos desertos, já que nos tempos modernos, é mais inviável a questão dos longos desertos, exceto quando alguém viaja, fica alguns dias na roça etc; mas hoje em dia, sumir não é a solução, não façamos isso, seria caso de polícia; mas analisando o costume lá daquela época, podemos especular mais certeiramente que ele poderia por vezes se retirar para fazer a experiência de deserto e o povo imaginar tantas fantasias, que tanto se distanciam do verdadeiro Henoc, que se agradou a Deus, é porque rejeitou essas inventações de moda do mundo. E se caso se retirou sem falar nada com ninguém? Hoje em dia seria algo errado de se fazer, nossa família precisa saber, não podemos sumir e deixar todos à mercê nos procurando; mas, Deus é o justo juiz, e o que devemos aprender: Não podemos julgar pessoas de épocas diferentes com a mesma régua da sociedade moderna.
E antes que sigamos para o próximo livro bíblico, não confundamos o patriarca Henoc descendente de Set, com seu xará descendente de Caim, trata-se de outra pessoa:
''17Caim teve relação com sua mulher, e ela concebeu e deu à luz Henoc. Caim construiu uma cidade e lhe deu o nome de seu filho, Henoc. 18Henoc foi o pai de Irad, e Irad gerou Maviael, Maviael gerou Matusael, e Matusael gerou Lamec.'' (Gn 4,17-18)
Assim como no referido trecho, não é o mesmo Henoc que estamos comentando até então, o Lamec acima citado, também não é o mesmo Lamec, neto do patriarca Henoc que analisamos e pai de Noé. O grande patriarca Henoc que estamos falando neste texto é o bisavô do construtor da arca.
No Eclesiástico / Na Sirácida
No referido livro deuterocanônico, o autor sagrado faz uma espécie de resumo do Antigo Testamento para os judeus que se encontravam na diáspora, por isso o livro é escrito em grego, o inglês da época, que mais tarde deu lugar ao latim. A partir do capítulo 44, quando começa o elogio dos antepassados, isto é, dos patriarcas, juízes, reis e profetas; Henoc é o 1º a ser citado numa espécie de releitura ao livro do Gênesis, em seguida, todos outros são elogiados: Noé, Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Aarão, Fineias, Josué, Caleb, os juízes, Samuel, Natã, Davi, Salomão, Roboão, Joroboão, Elias, Eliseu, Ezequias, Isaías, Josias, os últimos reis de Judá, Jeremias, Ezequiel e os Doze Profetas, Zorobabel, o outro Josué e Neemias; porém, no final do capítulo 49, quando chega-se ao fim a sessão dos elogios, o destaque volta para quem? Veja a seguir as duas citações:
1ª ''16Henoc agradou a Deus e foi arrebatado ao paraíso para levar a conversão às nações'' (Eclo/Sr 44,16)
A passagem acima não me deixa mentir quando eu falei de vir alguém numa família para deixar o exemplo, não só para as gerações futuras, mas às vezes também para as anteriores.
Na passagem acima, Henoc aparece na abertura do elogio aos patriarcas e demais nomes encabeçando a lista.
Segue-se todo o capítulo 44, os capítulos do 45 ao 49 citando todos os nomes acima mencionados, até que no finalzinho do 49º após terminarem os elogios a todos eles, vem essa pérola:
2ª ''16Mas ninguém, sobre a terra, foi criado igual a Henoc, o qual da terra foi arrebatado. 17Nem como José (do Egito) nasceu alguém assim, príncipe entre os irmãos, sustentáculo do seu povo; 18até seus ossos foram honrados e após a morte profetizaram.'' (Eclo/Sr 49,16-18)
Creio que a passagem fala por si. Mas um detalhe, se falam em seus ossos, dando a entender que eram relíquias, como hoje dos santos, já derruba a tese fantasiosa de arrebatamento cinematográfico. Antes de começar o o elogio aos patriarcas e outros nomes no capítulo 44, há uma passagem que sustenta ainda mais o argumento que acabei de apresentar:
''14Seus corpos estão sepultados na paz, e seu nome dura através das gerações.'' (Eclo/Sr 44,14)
Ser arrebatado nas Sagradas Escrituras significa ser levado aos Céus, ser salvo, e não aquele espetáculo que os cinemas mostram. Quando São Paulo fala em sua 1ª Carta aos Tessalonicenses, do arrebatamento pelos ares de nós que aqui ficamos, não está em momento nenhum narrando o que Hollywood e Cia narram, mas dizendo que aqueles que nos precederam na fé foram para Deus e nós continuamos indo para Ele no momento de nossa morte (Ts 4,16-17). Todos os nossos entes queridos e nós, esperamos entrar na vida eterna. Muitos distorcem a referida passagem para tentar falar de algo que a Igreja nunca falou.
E voltando a Henoc, após a segunda passagem citada acima do Eclesiástico (Sirácida), temos um versículo final que muitos também podem ficar com dúvida, mas já vamos esclarecê-lo:
''19Set e Sem foram glorificados na história humana, mas, acima de toda criatura vivente, na origem, está Adão''. (Eclo/Sr 49,19)
Cita-se Set e Sem, o primeiro descendente de Adão e o último descendente de Adão da lista presente no capítulo 5 do livro do Gênesis, no sentido de que toda a descendência deles foi glorificada e que posteriormente seus sucessores continuariam sendo. E quando cita-se Adão como acima de toda criatura vivente, não está tirando o destaque dado anteriormente a Henoc, mas sim, dizendo que Adão foi o primeiro ser humano. O elogio nessa parte final do capítulo 49 é realmente a Henoc. Então quem é Henoc se não um grande exemplo do Antigo Testamento?
Viu só como ele não é tão pouco citado assim e as breves menções a ele, como diz o ditado, para quem sabe ler, um pingo é letra. O pouco bem interpretado é muito. E outra, para ele encabeçar uma lista que perpassa 6 capítulos de um livro bíblico, para no final ser destacado como o maior da referida listagem após a citação de tantos nomes de peso como Moisés e Elias, Isaías e Jeremias, Davi e Salomão, entre tantos outros, é porque não são apenas duas menções, mas todo um trecho bíblico, uma verdadeira sequência bíblica dedicada a ele e aos demais, enfatizando seu grande exemplo de vida de santidade entre tantas gerações num verdadeiro resumo dos tempos antes de Cristo.
Na Carta (Epístola) aos Hebreus
Após um longo hiato entre o Antigo e o Novo Testamento, novamente Henoc é citado, já na Carta aos Hebreus, que embora não saibamos seu autor, há quem acredite ter sido São Barnabé, Apóstolo, porém, se não foi por um dos apóstolos de Jesus, foi por um de seus sucessores, fiéis à tradição guardada pelos apóstolos do Senhor, que dEle receberam:
''5Pela fé, Henoc foi arrebatado, sem passar pela morte; não mais foi encontrado, porque Deus o arrebatou. Antes de ser arrebatado, porém, recebeu o testemunho de que foi agradável a Deus.''
(Hb 11,5)
A passagem cita o trecho do Gênesis previamente analisado, sendo também referente ao trecho em Eclesiástico/Sirácida; como é comum nos livros do Novo Testamento: Analisar o Antigo sob a luz do Novo.
E quando se fala que ele não conheceu a morte? Devemos nos lembrar que morte na Bíblia, nem sempre está se referindo à morte física, à morte corporal, mas sim, à morte da alma, à perdição, à morte eterna. Quando São Paulo diz que o salário do pecado é a morte, em sua Carta aos Romanos (Rm 6,23), não estamos falando que não morreríamos fisicamente se não pecássemos, mas sim, que se vivermos no pecado, perderemos a vida eterna. Há pessoas vivas que vivem num estado de morte da alma e há pessoas mortas fisicamente, como os santos, que estão vivíssimos, ressuscitados no Céu. Quando Adão e Eva pecaram e a morte entrou no mundo, estamos falando da morte da alma pelo pecado, da perdição e não da morte natural, física, corporal. Por essa morte do corpo, todos passaremos, mas, jamais devemos nos afastar de Deus, devemos pelo contrário, seguir fielmente seus mandamentos, para que alcancemos o Céu, a vida eterna e não o Inferno, a morte eterna. (Rm 5,12)
Na Carta (Epístola) de São Judas
E agora para encerrar, e não menos importante, veremos o que São Judas Tadeu, que nada tem a ver com Judas Iscariotes, escreveu sobre Henoc. São Judas Tadeu, que inclusive era primo de Jesus, pois São Judas, São Tiago Menor e São Simão Zelote, o Cananeu, todos esses 3 apóstolos, eram filhos de Maria de Cléofas, prima de Nossa Senhora e de Alfeu, também chamado de Cléofas, irmão de São José; chamados nas Escrituras de irmãos de Jesus, pois era o termo usado na época para todos os parentes próximos (Mt 13,55-56).
E quando digo: ''não menos importante'', de fato é porque trata-se da cereja do bolo e que ficou para o final - Não será só mais uma passagem como as dos dois livros anteriores que reforçam o primeiro, mas aquela passagem que fecha com chave de ouro, pois é só no Novo Testamento, no penúltimo livro da Bíblia, que veremos pela primeira vez, palavras de Henoc nas Sagradas Escrituras. Não vimos uma só palavra do patriarca tão destacado no Antigo Testamento nos livros veterotestamentários, mas agora, já no final do cânone neotestamentário, vemos uma citação de um apóstolo de Jesus, que nos narra palavras de Henoc:
''14Também para eles (os ímpios) profetizou Henoc, o sétimo patriarca depois de Adão: 'Eis que veio o Senhor com milhares de seus santos, 15para exercer o juízo contra todos, e para denunciar todos os ímpios a respeito de todas as impiedades que cometeram e dos insultos que, como ímpios pecadores, proferiram contra ele'.''
(Jd 14-15)
Quando Henoc diz que o Senhor veio com milhares de seus santos, não fala nada cinematográfico, mas o que foi e continua sendo: Quem são os santos de Deus? São os que ouvem a palavra de Deus e colocam-na em prática (Lc 11,28), resumindo, todos nós que buscamos levar uma vida de santidade e ensinar aos irmãos e irmãs. Foi Deus Pai que suscitou os patriarcas, juízes e reis, foi o Espírito Santo que falou pelos profetas e iluminou os apóstolos escolhidos por Nosso Senhor Jesus Cristo. Deus suscitou e continua suscitando inúmeros santos e chama a cada um de nós para a santidade, para mostrar a verdade, ensinar a quem não sabe. É isso que Henoc nos ensina, como os demais santos de Deus, não no extraordinário, mas no ordinário de cada dia. Quantas vezes Deus coloca pessoas como Henoc e tantos santos em nosso caminho e ignoramos? Quantas vezes nos esquecemos de sermos também esse farol que guia para Deus na vida do nosso próximo?
Conclusão
Para quem achou que eu ia mergulhar nos apócrifos, especular lendas e beirar a fantasia, se decepcionou com esse texto, que nos ensina que Henoc, não se santificou por espetáculos e histeria, mas pelo comum de cada dia.
Para aqueles que queriam encontrar uma brecha para falar de um Henoc fantástico, sairão decepcionados; mas para quem queria uma reflexão concreta, apontei para a realidade. Trata-se de uma reflexão serena, mas com profundidade, sem cair na especulação, mas sim, na verdade.
Quem foi Henoc se não alguém como aquela criança que veio numa família com histórico ora bom, ora complicado, mas que cresceu mostrando o que Santa Clara de Assis tantos séculos depois veio nos ensinar: ''Não perca de vista, seu ponto de partida''. É na oração diária, vivendo uma vida coerente, que a santidade resplandece na gente. Quando renunciamos a nós mesmos e deixamos Deus agir, já estamos junto dEle, mesmo que ainda caminhemos por aqui.
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